Indo na contramão das postagens, vou postar um texto que escrevi ontem no Facebook para deixar registrado no blog, uma vez que na rede social os escritos acabam se perdendo...
MEUS FILHOS
Meus filhos não são 'filhos adotivos', 'filhos duzotros'. São meus filhos, filhos que a vida me deu, filhos que eu sabia que existiam em algum lugar para mim desde os 16 anos.
São filhos que eu gestei no meu coração e na minha alma não por nove meses, mas por muitos, muitos anos!
A adoção foi apenas a forma pela qual eles se tornaram filhos porque tendo um útero imprestável Deus precisou providenciar úteros saudáveis para que eles nascessem.
Eles são, simplesmente, FILHOS.
Dão alegrias, dão trabalho, dão preocupações.
Me deixam feliz, me deixam triste, me magoam assim como todo filho, assim como todo ser humano que a gente ama.
Eles estão crescendo e a cada dia estão tomando cada vez mais posse de si mesmos, cada vez mais sendo mais deles e menos meus.
São lagartas em fase de casulos. Um dia baterão asas. Um dia voarão e ganharão o mundo.
E eu sou, simplesmente, mãe! Temo o futuro, temo as possíveis escolhas, temo que eles sofram, mas eles são meus filhos, são meus tesouros, são almas que Deus me confiou para criar, educar e amar.
E se no futuro, em suas escolhas, eles acertarem: celebraremos todos e eu serei muito feliz!
Se eles errarem, se as coisas não derem certo, eles terão sempre as portas da casa e do coração abertos, porque independente de suas experiências eles serão sempre e para sempre, por toda a eternidade, simplesmente meus filhos e como meus filhos eles terão sempre o ninho à espera e um colo quente para se recuperarem, curarem as asas até poderem voar novamente!
E seguindo essa mesma linha sobre filhos, hoje na apresentação do Lucas Lucco - o qual eu desconhecia a existência - no programa do Faustão, a certa altura o pai do rapaz em questão falou em um vídeo.
Ele disse que perguntou ao pai dele o que um pai faz quando o filho sai de casa e o pai dele, avó do rapaz, respondeu:
"a melhor coisa que os pais podem fazer quando os filhos saem de casa é nunca fecharem as portas para que os filhos saibam que têm para onde voltar".
Achei perfeito!
Que possamos, todos, como pais, dar asas para nossos filhos voarem no tempo deles e que tenhamos sempre as portas abertas, um ninho quente e um abraço carinhoso para o caso de precisarem voltar!
beijos,
Cláudia
domingo, 27 de abril de 2014
sábado, 12 de abril de 2014
O sol voltou a brilhar!
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Venho falar dela, dela mesma: a depressão!
Para entender o que se passou, se não acompanhou desde o princípio, sugiro que leiam antes estes dois posts: E o Natal se foi... e Eu, a depressão e o pânico!
Então, no último post a respeito da depressão, há pouco mais de um ano, eu estava com sintomas de pânico também. Estava praticamente no início do tratamento, há poucos meses tomando a medicação, ainda não sabia se necessitaria de terapia, se ia tomar floral. Enfim, ainda estava meio perdida tanto no tratamento quanto em mim mesma.
Felizmente a partir de maio de 2013 eu deixei de ter os sintomas e não tive mais nenhuma ameaça de crise.
A partir de junho comecei a me considerar bem. Eu já não oscilava mais tanto no humor e não senti mais nenhuma vez o pânico. Já estava dormindo bem e não sentia mais dores pelo corpo.
Na consulta de setembro/2013, embora me sentisse muito bem, ainda estava insegura quanto a começar a sair da medicação, então optamos - eu e meu psiquiatra - por esperar mais um período de dois meses.
Na consulta de novembro/2013 eu estava muito bem, me sentia segura e aceitei fazer o que os psiquiatras chamam de 'desmame'. Passamos, então, para um medicamento mais leve.
Menos de 1 mês depois da troca do medicamento houve o acidente da minha irmã, que resultou no falecimento da minha sobrinha e eu tive muito, muito medo de recair.
Nos primeiros dias até achei que estava recaindo, tive muitos acessos de taquicardia, mas nada mais que isso e a tristeza considerada normal para a situação.
Aos poucos eu fui percebendo que a tristeza era normal e que não estava ativando minha doença. Consegui separar os sentimentos e vi que o medicamento estava indo bem, eu estava indo bem apesar dos pesares.
Neste último fevereiro eu deveria ter voltado à consulta, porém no dia eu estava com dor de dente e fui ao dentista que só poderia me atender no horário da consulta. Como eu tinha, ainda, um bom tanto do remédio, fiquei tranquila.
Naquele dia, em fevereiro, eu estava insegura de parar a medicação. Continuei tomando até a medicação acabar, há cerca de 10 dias. Uma coisa e outra eu nunca consigo marcar a consulta. O tempo foi passando, nos primeiros dias me senti um tantinho assim pequetitinho preocupada, mas eu continuei dormindo bem, continuei acordando bem, continuei me sentindo bem e hoje, quase duas semanas depois de ter parado com a medicação, eu me sinto bem.
Sinto que estou no leme da minha vida novamente. Sinto que me reencontrei. Meu humor voltou, minha estabilidade emocional também!
Esta semana vou pessoalmente lá no consultório marcar a consulta para pegar minha alta! Essa, sim, será uma grande satisfação!
Estou me sentindo feliz com isso. Muito feliz, mesmo!
Não existe nada pior do que sentir-se inadequada, sem esperanças, sem perspectivas, sem rumo, à deriva.
Não existe nada pior do que essa sensação passar do emocional para o físico e você sentir que pode morrer a qualquer momento.
Eu não sei em que curva da vida me perdi. Eu não sei em que momento adoeci. O importante é que eu sarei!
Conforme falei no outro post, depressão é uma doença, pode acometer qualquer pessoa em qualquer fase da vida.
É uma doença como qualquer outra e precisa de tratamento. O psiquiatra é um médico como qualquer outro médico. Se a gente tem diabetes e trata com endocrinologista, se tem hipertensão e trata com cardiologista, se tem miomas trata com a ginecologista, porque o preconceito com a depressão e o psiquiatra? Não tem porque sentir preconceito.
"Ah, mas as pessoas não entender, falam que é falta de roupa para lavar, falta de casa para limpar". Só digo uma coisa: NÃO LIGUE! Só você está dentro de você para saber o que está sentindo e só você sabe que não te falta roupa para lavar, nem casa para limpar, principalmente se você tiver filhos e trabalhar fora!
Se a alma adoecer, busque ajuda. Tem cura! Tudo nesta vida tem jeito! Não tenha vergonha!
Eu não tive vergonha de admitir que estava doente, briguei para conseguir tratamento e hoje estou bem, finalmente!
Hoje meu sol voltou a brilhar. Até quando? Não sei.
E se a depressão voltar? A gente trata novamente!
E assim seguimos a vida, buscando sempre viver da melhor forma!
Meus problemas deixaram de existir? Naturalmente que não.
Eu nem acredito que a depressão tenha sido em decorrência de algum problema, sabe? Eu adoeci do colesterol e nem como gorduras e frituras. Muitas vezes a gente simplesmente adoece. O importante é querer ficar bem, é querer estar bem.
Como dizia Renato Russo:
'mas é claro que o sol vai voltar amanhã, mais uma vez, eu sei. Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã, espera que o sol já vem'
E é bem assim: o sol sempre volta. Basta você querer que ele volte!
Se estiver sentindo os sintomas que postei nos outros posts corra atrás de você, busque ajuda e se recupere!
E não se esqueça: pode estar escuro agora, mas o sol sempre, sempre volta a brilhar!
Ah, e não perca a fé! Isso também é importante! Ter fé, acreditar que existe um ser Superior que rege nossas vidas e que nos quer ver felizes. Deus nos criou para sermos felizes, então vamos nos esforçar para isso!
Beijos,
Cláudia
terça-feira, 8 de abril de 2014
Amenidade: uma linda história de amor, superação e adoção!
Hoje ele faz um mês!
Um mês que foi encontrado no quintal com o cordão umbilical ainda preso à placenta!
Um mês que veio para transformar quem conhece sua história!
Um mês que nasceu e transformou sua família!
Quem é ele????
Ele é o Miau aos 4 dias de nascido!
Não se sabe se foi abandonado por sua mãe, ou se ela era uma parturiente inexperiente, teve ele no quintal e fugiu.
O fato é que ele queria viver! E como queria!
Ele fez barulho, chamou a atenção e foi encontrado!
Depois de encontrado, foi acolhido, cuidado e amado!
Miau teve o poder de arrebatar o coração de uma família cachorreira e isso é uma missão para poucos!
Ganhou um ursinho de pelúcia e um cobertorzinho para aquecer-se e sentir-se seguro.
Foi alimentado com seringa de medicação e leite para humano (de vaca se preferir...rss) por alguns dias até que uma mãe de leite o aceitou.
E aí, além de ganhar uma família humana, ele ganhou uma família felina: mãe de leite e dois irmãos.
Como um pequeno guerreiro ele lutou, mamou, se fortaleceu.
Já cresceu e está serelepe querendo comer a ração dos irmãos mais velhos.
Quando encontrado tinha tudo para não sobreviver, mas sobreviveu!
Ele certamente traz consigo algumas lições!
Deus certamente tinha algo para nos mostrar com a força deste guerreirinho!
A mim o Miau mostrou que para desejar viver basta estar vivo!
Que por pior que seja a situação, por mais ruim que seja o prognóstico, quando se deseja muito é possível fazer dar certo, ainda que se precise de ajuda!
Agora esse mocinho, esse tiquinho de ser peludinho amarelo está crescidinho, espertinho, já arteiro.
Superou todas as expectativas de desenvolvimento!
De minha parte, não vejo a hora de vê-lo juntar-se ao irmãozinho humano para, juntos, aprontarem muito com a mamãe!
A mamãe humana dele, como puderam perceber nas fotos, é minha amiga, irmã de alma, Carine Gimenez.
Sei o quanto este bebezinho significa para ela e sua família.
Sei que o estão aguardando com muito amor e carinho e eu creio que Miau não nasceu naquele quintal por acaso.
Deus tinha um propósito e não tenho dúvida alguma que este propósito é fazer esta família ainda mais feliz!
Cláudia
Um mês que foi encontrado no quintal com o cordão umbilical ainda preso à placenta!
Um mês que veio para transformar quem conhece sua história!
Um mês que nasceu e transformou sua família!
Quem é ele????
Ele é o Miau aos 4 dias de nascido!
Não se sabe se foi abandonado por sua mãe, ou se ela era uma parturiente inexperiente, teve ele no quintal e fugiu.
O fato é que ele queria viver! E como queria!
Ele fez barulho, chamou a atenção e foi encontrado!
Depois de encontrado, foi acolhido, cuidado e amado!
Miau teve o poder de arrebatar o coração de uma família cachorreira e isso é uma missão para poucos!
Ganhou um ursinho de pelúcia e um cobertorzinho para aquecer-se e sentir-se seguro.
Foi alimentado com seringa de medicação e leite para humano (de vaca se preferir...rss) por alguns dias até que uma mãe de leite o aceitou.
E aí, além de ganhar uma família humana, ele ganhou uma família felina: mãe de leite e dois irmãos.
Como um pequeno guerreiro ele lutou, mamou, se fortaleceu.
Já cresceu e está serelepe querendo comer a ração dos irmãos mais velhos.
Quando encontrado tinha tudo para não sobreviver, mas sobreviveu!
Ele certamente traz consigo algumas lições!
Deus certamente tinha algo para nos mostrar com a força deste guerreirinho!
A mim o Miau mostrou que para desejar viver basta estar vivo!
Que por pior que seja a situação, por mais ruim que seja o prognóstico, quando se deseja muito é possível fazer dar certo, ainda que se precise de ajuda!
Agora esse mocinho, esse tiquinho de ser peludinho amarelo está crescidinho, espertinho, já arteiro.
Superou todas as expectativas de desenvolvimento!
De minha parte, não vejo a hora de vê-lo juntar-se ao irmãozinho humano para, juntos, aprontarem muito com a mamãe!
A mamãe humana dele, como puderam perceber nas fotos, é minha amiga, irmã de alma, Carine Gimenez.
Sei o quanto este bebezinho significa para ela e sua família.
Sei que o estão aguardando com muito amor e carinho e eu creio que Miau não nasceu naquele quintal por acaso.
Deus tinha um propósito e não tenho dúvida alguma que este propósito é fazer esta família ainda mais feliz!
Cláudia
quarta-feira, 2 de abril de 2014
A melhor parte sempre está no final do arco-íris!
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Sabe? Parabéns, então!
Eu nunca soube o que é isso!
Da primeira filha eu era obcecada e só falava em filhos. Devia tentar tratamento para engravidar.
Do segundo eu era louca, já tinha feito uma caridade, devia tentar ter um filho 'meu mesmo, de verdade' ou ficar só com uma porque ela sozinha já ia ser motivo de muita dor de cabeça.
A terceira....bem, a terceira ninguém falou nada porque eu decidi esperar só entre nós de casa, mesmo. Eu, meu marido, meus filhos.
O quarto filho ainda é um projeto que está em suspenso e que, possivelmente, não será compartilhado por quem não compartilhou da espera dos outros três caso o projeto vire realidade.
Nas reuniões familiares, por anos a fio, mais ou menos uns oito, os filhos pequenos falavam na irmã chamada Taís que ia vir, ninguém falava nada e eu não tocava no assunto. Só sorria. Apenas sorria da euforia e da inocência infantil dos meus filhos!
Umas poucas vezes algumas pessoas arriscaram falar que dois estava bom, que muitos filhos hoje em dia era complicado, era caro e blá, blá, blá e eu apenas sorria.
Nunca entrei em detalhes. Ela foi projeto, depois passou a sonho, e toda a fase de habilitação e espera foi nossa. Somente nossa!
Quando a gente tem um sonho, um desejo, um projeto de vida a gente tem que arregaçar as mangas e ir à busca.
Naturalmente que com apoio, cercada de carinho, de poder compartilhar o momento tão feliz e tão mágico que é esperar um filho é sempre muito melhor, mas se não é possível, ainda assim para ser feliz é preciso ir em frente!
Eu não seria uma pessoa feliz fazendo tratamentos por anos, e anos, e anos sem garantia nenhuma de que iria conseguir.
Eu acho que não seria feliz passando por uma gravidez múltipla, muito múltipla, excessivamente múltipla porque mesmo querendo quatro filhos eu queria um por vez.
Eu não seria feliz fazendo tratamento, não conseguindo e me conformando em não ter filhos.
Não é fácil sentir-se tão feliz e não ter com quem compartilhar esta felicidade. Entenda-se o 'não ter com quem' como família, parentes porque, graças a Deus, eu tive muitas amigas que participaram da espera e da chegada de cada um deles com alegria, carinho e muito apoio!
Não é tão feliz assim comprar coisinhas e não poder mostrar para ninguém para não ter que ouvir verdadeiros tratados sobre o que é um filho adotivo e o tanto de dor de cabeça que você vai ter no futuro.
Não posso dizer que minhas esperas foram infelizes. Não! Isso nunca!
Eu fui uma gestante como outra qualquer: fiz enxoval, bordei, tricotei, planejei, sonhei, delirei, me emocionei muitas vezes pensando no momento de ter cada um dos meus filhos nos braços.
Eu me sentia feliz com a espera, mas faltou algo. Faltou família! Faltou carinho! Faltou respeito pela minha decisão e pela decisão do meu marido.
Faltou! E mesmo faltando, isso não foi um fator primordial para desistirmos. Nós queríamos ser pais e fomos pais uma, duas, três vezes.
E somos felizes. Como somos! Nossos filhos são o bem mais precioso que temos nesta vida! São as maiores bênçãos que Deus poderia nos dar nesta vida!
É difícil ter filhos? É.
É difícil ter filhos adolescentes? É
É difícil educar? É
Mas não é difícil só para quem tem filhos adotivos. É difícil para qualquer pai e mãe.
Eu já escutei muito: ah, eu queria muito adotar, mas a família do meu marido não aceita, ou minha família não aceita.
Vi muita gente desejando ter filhos e abrindo mão de seus sonhos por causa da não aceitação do outro. Vi pessoas se apagando para a vida, tentando ser feliz através da ótica de vida dos outros.
Infelizmente ninguém consegue ser feliz através da ótica dos outros, do sonho dos outros ou da ideologia dos outros!
Nós só conseguimos ser felizes com o que sonhamos e conseguimos realizar!
Família é importante? Lógico que é! Se assim não fosse não teria me feito falta nas esperas, mas a família não pode interferir tão profundamente nas escolhas da formação da sua família e muito menos na sua forma de ser feliz!
Embora eu não tenha tido o apoio que eu gostaria, que eu sonhava, que eu desejava, embora tenha sido taxada de louca, tenha recebido muitos conselhos para tentar ter 'um filho meu mesmo', quando meus filhos chegaram foram acolhidos e eu sei que eles são amados. Eles foram aceitos porque o problema das pessoas não era com eles. Era com a minha escolha. Eu não fui apoiada devido à escolha que eu e meu marido fizemos e não devido às crianças. E as crianças, quando chegaram, foram aceitas!
Isso é importante!
Nesta jornada no mundo adotivo vi alguns casais serem apoiados da forma como eu sonhava, porém alguns deles aceitaram crianças que não eram as crianças dos sonhos da família que os apoiava e, então, a criança não foi aceita, ou demorou para ser aceita.
Talvez o mais importante seja o acolhimento depois, porque quando as pessoas se envolvem com você, elas sonham e idealizam seu filho também. E com isso, o sonho, o ideal de criança para elas talvez não seja o mesmo seu.
No meu caso, creio que como ninguém tinha expectativa alguma, meus filhos foram aceitos de imediato.
Hoje dá para conviver com a falta de apoio de antes porque meus filhos são queridos, então nunca deixe sua felicidade guardada na caixa dos sonhos por falta de apoio porque a felicidade maior pode estar no final de tudo, afinal o tesouro sempre se encontra no final do arco-iris!
Beijos
Cláudia
sábado, 22 de março de 2014
O que há no intervalo entre o desejar e o realizar!
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Sempre falei que como filhos biológicos não vieram, partimos para a adoção sem fazer exames e sem tratamentos.
Isso realmente foi verdade!
Quando a gravidez não se efetivou no prazo determinado pelo médico decidimos não fazer tratamentos, exames, nada disso, afinal queríamos ser pais e não fazíamos questão de termos uma barriga, no entanto esse processo não se passa sem sofrimentos.
No post anterior a este eu falei que enlouqueci. E enlouqueci, mesmo!
Sorte minha que consegui detectar isso e consegui reverter por mim mesma a situação.
No intervalo entre desejar ser mãe e tornar-se mãe, tanto na maternidade biológica quanto na maternidade adotiva, este período é permeado de muitos sentimentos, muitos medos, muitos receios.
Quando a gente deseja muito ser mãe e planeja este filho, a gente sonha, idealiza, organiza e reorganiza a casa mentalmente, planeja um novo carro....ou ter um carro, a pintura da casa, o enxoval, talvez uma mudança de trabalho, pensa em creche, escolinha e tantas outras coisas que vêm junto com um filho.
Conforme o tempo vai passando e, mês a mês a vida vai te frustrando neste sonho, neste planejamento, muitos sentimentos precisam e são elaborados.
No meu caso a adoção não era opção SE eu não engravidasse. Adoção era plano de vida. Eu ia adotar gerando filhos ou não, mas mesmo assim diante do 'não' da vida, sentimentos afloram, tais como: frustração por não engravidar, sentimento de inferioridade em relação a outras mulheres, sentimento de uma vida inútil porque a gente nasce e cresce sendo criada para ser mãe.
A gente tem que elaborar esses sentimentos e não é fácil. Não é fácil lidar com frustrações!
Você vê as pessoas gerando de forma irresponsável filhos indesejados e é difícil entender o porquê de estar vivendo e convivendo com essa situação.
Mesmo desejando adotar eu também desejei engravidar e embora a gravidez não fosse algo imprescindível em minha vida, foi um plano, foi um projeto frustrado o qual tive que reelaborar, tive que viver o tal do luto que tanto dizem.
E eu vivi intensamente. Eu chorei, eu questionei Deus, até briguei com Ele algumas vezes, principalmente quando alguma desalmada jogava seu recém-nascido no rio perto da minha casa, ou jogava seus rebentos no lixo, largavam na igreja, matavam. Briguei com Deus muitas vezes, sim, mas nunca guardei revolta em meu ser.
Eu chorava, eu sofria, eu me rasgava por dentro de desespero muitas vezes, mas eu não tinha revolta.
Uma noite, logo depois do ocorrido com a história da banheira azul do post anterior, tive um atraso considerável, o mais longo de todos e na noite anterior ao dia que eu ia ao médico para fazer um BHCG, quando fui tomar banho estava lá meu 'não' novamente.
Esse não foi o pior 'não' de todos porque teve um que foi terrível por conta de um 'excelente' obstetra, mas foi o que senti intensamente na alma.
Nesta noite, ao ir deitar, peguei meu evangelho e, de joelhos...coisa que nunca havia feito...orei, orei, orei e, de coração aberto pedi: Senhor, me faz entender o porquê de tudo isso! Por caridade, me mostre porquê!
E nesta noite eu sonhei. Foi um sonho real, lindo, o qual me emociona até hoje quando lembro!
O lugar era calmo, silencioso, cheio de paz, tinha um gramado macio bem verde, árvores frondosas, um riacho onde corria uma água cristalina, à margem duas pedras grandes. Sentei em uma e um homem cujo rosto não pude ver ou não registrei sentou-se na outra e me falou o seguinte:
- minha irmã, na vida existem árvores que nascem para dar frutos e saciar a fome e existem árvores que nascem pra dar sombra e acolher. Nenhuma é mais importante do que a outra. Ambas se completam.
E então eu compreendi que eu era, sim, uma 'árvore que nasceu para dar sombra e acolher'.
Acordei agradecida a Deus pela resposta à minha oração e senti intima e fortemente em meu ser que eu estava no caminho certo: deveria voltar a trabalhar, me curar e ficar pronta para que, no tempo de Deus, meus filhos pudessem chegar.
E assim foi!
E assim hoje sou mãe de três pessoas que são os seres mais importantes da minha vida. Amo tanto que a alma até dói.
Depois que a primeira nasceu nunca mais senti desejo de tentar ter um filho biológico. Não sinto frustração por isso, nem mágoa com a vida.
Tudo foi como tinha que ser e eu sou grata a Deus e à vida por tudo de maravilhoso que operaram em minha vida e na vida da família que eu e meu marido conseguimos formar.
Isso tudo creio que só foi possível porque, mesmo diante do sofrimento, no intervalo entre o desejar e o realizar a maternidade nunca me faltou esperança e fé.
Que nunca nos falte esperança e fé em nenhuma circunstância na vida!
terça-feira, 18 de março de 2014
Um estado de loucura chamado 'desejo de ser mãe'.
Temos visto desde o início da novela Em Família a evolução do, digamos, estado de loucura da Juliana (Vanessa Gerbelli) motivado pelo desejo ardente de ser mãe.
Em entrevista à Ana Maria Braga a atriz fala em um estado de histeria.
Como não entendo de histeria e muito embora não entenda nada de doenças psiquiátricas, creio que o desejo de algo acalentado por muito tempo gere, sim, alguma doença psiquiátrica.
Como a maternidade é algo que ocorre de forma natural à maioria das mulheres, uma personagem como esta parece surreal, parece 'coisa de novela', parece historinha da cabeça do autor, mas posso afirmar que não é.
Vendo a personagem eu sinto pena. Pena não por ela não estar com a criança que ela pensa ser sua filha. Pena pela dor que ela me faz rememorar, reviver. Pena porque, embora eu saiba que é uma novela, uma história, aquela personagem que simboliza e representa muitas mulheres reais sofre. Ela sofre! E eu sei como é este sofrimento.
Desejar ter um filho ano após ano sem conseguir dói. Dói muito e por mais que se tente manter o otimismo, buscar alternativas, chega uma hora que a dor é tanta que a gente enlouquece. Sim! Enlouquece! Tudo passa a girar em torno da maternidade que para 'todo mundo' é algo natural e que para a gente é negado pela natureza.
Atrasos da menstruação por algum tempo são desejados, sonhados e quando ocorrem te levam do delírio à depressão quando, dias depois do atraso, a menstruação desce!
A cada menstruação que desce, desce com ela a esperança, o sonho, a maternidade.
Ela, a Juliana da novela, tem um marido que nunca a apoiou, que nunca deu valor para o sentimento em relação à maternidade, mas mesmo quando se tem marido companheiro isso tudo é muito difícil.
Eu casei desejando ser mãe. Aliás, eu desejava ser mãe desde que me conheço por gente. A lembrança mais remota que tenho disso é aos 8 anos, eu em frente ao espelho vestida com uma camisola larga imaginando como seria quando eu fosse adulta e tivesse barrigão com nenê dentro.
Quando eu me casei nossos planos eram de engravidar no primeiro ano de casados e eu sonhava voltar da lua-de-mel grávida o que, lógico, não aconteceu!
O tempo foi passando, 'todo mundo' à minha volta engravidava, tinha filhos, e comigo nada!
Pessoas que casaram depois de mim tiveram um filho, depois outro, pessoas que nem desejavam ter filhos engravidavam e comigo não acontecia nada!
Chega uma hora que umas pessoas começam a falar que você só fala nisso, que está obcecada. Outras pessoas se afastam.
E elas têm razão: a gente só fala nisso, só pensa nisso, dorme e acorda pensando nisso. E chora! A cada gravidez de alguma conhecida, amiga, vizinha a gente chora! Chora não porque elas ficaram grávidas, mas sim porque a gente não fica! Chora de pena de si mesma. Chora de raiva. Chora de desespero. Chora e até questiona Deus com um: porque para elas é tão fácil e para mim parece impossível?
Eu enlouqueci! Sim...enlouqueci.
Não cheguei ao estágio da Juliana de sonhar em matar alguém para ter o filho comigo, nem fiz nada nunca para tirar filho de ninguém por mais que eu achasse que esse alguém não tinha condições de ser mãe.
Não. Eu não fiquei como ela, mas eu fui muitas vezes à igreja que tinha perto de casa depois que meu marido saiu para trabalhar para ver se tinham deixado algum bebê lá, embaixo de algum banco. Isso porque nesta igreja sempre eram encontrados bebês abandonados na madrugada. Cheguei a ir em dias seguidos, praticamente todos os dias, e no dia que eu não fui deixavam algum bebê. E eu sofria a dor de um aborto quando a notícia chegava. Doía demais 'não ter ido no dia certo'.
Eu sonhava que deixavam um bebê na porta da minha casa. Sonhava que encontrava bebê em caixa na rua. E eu andava atenta procurando bebê porque eu sabia que sempre alguém 'perdia' um bebê numa sacola ou numa caixa média na rua.
E, de repente, 'todas' as lojas do shopping que ficava atrás da minha casa e por onde eu passava para pagar contas e fazer compras eram lojas de roupas e acessórios para bebês, 'todas' as mulheres que andavam na rua estavam grávidas. Eu não só falava o tempo inteiro sobre isso, como só via isso o tempo inteiro, também. Podia ter uma única grávida na multidão e meus olhos a encontravam!
E vou falar: essa é uma dor solitária! Ninguém entende! Aos poucos você sente que está chata, irritadiça, alterada. Sente que a convivência dos outros, das 'pessoas normais' com você é desagradável.
Eu não fiquei como a Juliana porque eu me dei conta que estava doente. Um dia demorei a dormir porque dormir mal passou a ser rotina e quando acordei eu me dei conta que naquele momento eu não tinha a menor condição nem de engravidar, nem de adotar. Eu simplesmente não tinha condições de ter uma criança comigo.
Isso aconteceu porque era dia de pagamento de contas, aluguel e compras, eu ia atravessando por dentro do shopping para chegar ao banco, imobiliária e mercado e, de repente, passa por mim no sentido contrário uma senhora, a qual lembro a fisionomia até hoje, com uma sacola das lojas Americanas portando uma banheira azul. Assim que vi a banheira na sacola tive um negócio. Não sei explicar o que eu senti, mas eu não via mais nada à minha frente, apagou tudo da memória, eu não sabia o que estava fazendo naquele lugar e voltei para casa, fechei a porta, sentei no tapete encostada na porta fechada e chorei. Chorei sem me dar conta de quanto tempo fiquei lá, daquele jeito. Parei quando a campainha tocou e eu vi que já tinha anoitecido. A vizinha da casa de baixo ouviu o choro quando entrou chegando do trabalho e tocou para saber se estava tudo bem.
Esse foi o pico da minha loucura! Como falei, nesta noite dormi mal e no dia seguinte me dei conta que eu não tinha equilíbrio suficiente para gerar e nem de cuidar de uma criança e decidi mudar tudo, voltar a trabalhar, me equilibrar para poder, um dia, ser mãe.
Logo voltei a trabalhar, mas o equilíbrio demorou a chegar. Por muito tempo eu andava, ainda, na rua com a esperança de encontrar uma caixa com um bebê dentro.
Um dia, logo que voltei a trabalhar, uma determinada manhã em que cheguei bem antes do horário determinei que neste dia sairia no meu horário certinho. Eu sempre ficava depois do horário, mas naquele dia eu queira sair no horário certo. Estava, já, arrumando a mesa quando uma colega pediu ajuda e eu atrasei 15 minutos para sair. No caminho para o metrô vejo um tumulto num dos cruzamentos, paro, pergunto para um vendedor de frutas o que tinha acontecido porque eu não vi nenhum vestígio de acidente no local e ele falou: ah, moça, a polícia acabou de sair daqui. Um carro parou aqui tem uma meia hora, se tiver isso, e deixou uma caixa junto com as caixas vazias encostadas no poste. Começamos a ouvir um barulho estranho na caixa e tinha dois bebês, acho que gêmeos, porque eram muito parecidos. A polícia acabou de levar a caixa com as crianças.
E nesse dia eu pirei porque não saí no meu horário.
O trabalho e o tempo ajudaram muito. Eu me curei, me tornei mãe, mas quando vejo esta novela tudo, toda a dor, todos os sentimentos voltam e eu sei que existem milhares de Julianas e de Cláudias por aí.
Não sei o que vai acontecer com ela, a personagem, mas posso dizer que isso tudo passa, basta ter vontade de melhorar para ser a melhor mãe que se puder ser!
sábado, 28 de dezembro de 2013
Um 2014 de equilíbrio e fé!
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Não tenho lista de desejos para 2014.
Nem expectativas, tampouco.
Planos? Só os de Deus para nossas vidas.
Aprendi a viver um dia por vez, a fazer a minha parte, a trabalhar pelo bem dos que me cercam no dia de hoje, a atender aos pedidos do coração.
Não faço mais listas. Elas nunca se realizam!
A vida é dinâmica, pulsa e nós...bem, nós somos como surfistas: temos que nos equilibrar na prancha da vida e ir fazendo as manobras de acordo com as ondas.
Planos, projetos de longo prazo engessam.
Que em 2014 eu possa viver um dia por vez, que eu tenha sabedoria para lidar com os imprevistos e que eu possa me tornar, a cada dia, uma pessoa melhor. Sendo melhor para mim, certamente o serei para todos.
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Um Natal de paz e serenidade!
Então chegamos a mais um Natal.
Quero desejar a todos um Natal de paz e de serenidade!
Aos que estão sofrendo, que as bênçãos e o amor de Jesus possam dar paz e serenidade.
Aos demais, que Jesus abençoe ricamente com muita harmonia familiar, paz e felicidades!
Aos meus familiares e amigos mais próximos da família e da Hisla, que Jesus nos conforte a todos. Que a Mãe Maria nos cubra com seu manto de luz e de amor para que possamos ser resignados aos desígnios do Pai Maior.
Li em algum lugar que o que não se compreende, se aceita com resignação. Que assim seja para todos nós!
Neste sétimo dia de sua partida, minha querida, deixo a mensagem de Santo Agostinho para que todos que te amam nunca duvidem que 'para quem tem fé a vida nunca tem fim".
Um dia todos nos reencontraremos!
"- A morte não é nada
Eu somente passei
Para o outro lado do caminho
Eu sou eu , vocês são vocês
Oque eu era pra vocês
Eu continuarei sendo
Me deem o nome
Que vocês sempre me deram
Falem comigo
Como vocês sempre fizeram
Vocês continuam vivendo
No mundo das criaturas
E eu estou vivendo
No mundo do criador
Não utilizem um tom solene ou triste
Continuem a rir
Daquilo que nos fazia rir juntos
Rezem , sorriam , pensem em mim . Rezem por mim.
Que meu nome seja pronunciado
Como sempre foi
Sem enfase de nenhum tipo
Sem nenhum traço de sombra ou tristeza
A vida significa tudo
Oque ela sempre significou
O fio não foi cortado
Porque eu estaria fora dos seus pensamentos ,
Agora que estou apenas fora de suas vistas ?
Eu não estou longe
Apenas estou
Do outro lado do caminho
Você aí que ficou , siga em frente
A vida continua , linda e bela
Como sempre foi.
Um dia vamos nos reencontrar e enquanto esse dia não chega
Estarei aqui em cima , guiando e cuidando de vocês". (Santo Agostinho)
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
Falando de FÉ, sentimentos e arrependimentos
Há cerca de 28 anos tive minha primeira 'perda' com o falecimento de minha avó e nestes aproximados 28 anos aprendi que a fé é algo que não se nasce, se desenvolve. Podemos fortalecer nossa fé com orações a cada dia, assim como os atletas fortalecem os seus músculos com exercícios.
Neste período eu consegui desenvolver minha fé de modo que hoje eu sofro com as perdas, porém dentro do sofrimento cabem a paz e a confiança que Deus não erra nunca.
Se você me perguntar como se faz isso eu vou te responder: não sei!
Creio que cada pessoa tenha uma forma de fortalecer a sua fé, mas o certo é que ela não se desenvolve 'apenas' com orações. É preciso um movimento em direção a este fortalecimento. Eu não sei explicar como eu fortaleci a minha fé. Só sei que sinto o quanto isto mudou desde o falecimento de minha avó.
Vivendo um dia de cada vez a gente aprende a confiar na Providência e aprende a aceitar o que é inevitável sem desespero.
Embora tenha fortalecido minha fé, tem algo em mim que ainda não desenvolvi: demonstração de afetividade. Eu amo de doer, faço tudo, vivo para ver as pessoas que amo felizes, porém ainda não aprendi a fazer com que elas saibam disso.
E quando a gente não tem esta habilidade desenvolvida, corremos o risco de sofrermos de arrependimento!
Eu amava demais minha avó, porém eu nunca falei para ela isso. Naquele tempo, aos 15 anos, não me lembro se cheguei a me dar conta deste fato, porém eu sei que não basta amar.
Temos necessidade de falar, de demonstrar e eu ainda não aprendi a fazer isso.
Eu tinha uma admiração muito grande pela minha sogra. Algo no nível 'quero ser a metade do que ela é no futuro'. Convivemos por mais de 20 anos, ela adoeceu, eu ia lá ficar com ela, acompanhei a evolução da doença, ela esteve consciente até a véspera de sua passagem e mesmo sabendo que era o fim eu não falei para ela o quanto a admirava. Depois que ela se foi restou o arrependimento de não ter verbalizado. As pessoas dizem: ela sabe!, porém o fato de eu saber que ela sabia não alivia em nada esse sentimento. Eu precisava ter falado.
A minha sobrinha Hisla foi alguém muito importante na minha vida desde a concepção, porém eu não falei isso para ninguém. Talvez nem a mãe dela saiba! A concepção dela aconteceu no mesmo mês em que enviei os documentos para adoção. Embora eu não tivesse uma gestação biológica, minha barriga não crescesse, eu não fizesse pré-natal eu me sentia grávida e a gestação da Hisla me proporcionou vivenciar esta fase. Eu 'fiz' pré-natal com a mãe dela, acompanhava as consultas, os ultrassons, ouvia os batimentos da bebê.Era algo extraordinário e não sei bem explicar mas isso funcionou como uma espécie de cartase: o pré-natal dela funcionou como se fosse comigo.
Eu não sei porque eu sou assim, mas espero que esta habilidade seja como a fé e que estas duas experiências me permitam encontrar recursos dentro de mim para desenvolver a habilidade de demonstrar o meu amor, de dizer o quanto as pessoas são importantes para mim antes que elas partam, antes que não dê mais tempo, antes que seja tarde!
Hisla, amor, mesmo sendo tarde, mesmo com o coração e a alma sangrando, eu sei que onde você estiver vai sentir minhas palavras e meus sentimentos.
Titia te amou desde a concepção, te ama e te amará até a eternidade. Um dia sei que vamos nos reencontrar, que você cumpriu sua missão breve aqui e sei que terei uma nova chance de te abraçar e dizer tudo isso.
Minha linda, meu anjinho, que Deus te cubra com bênçãos de paz e serenidade onde vc estiver. Vai ficar tudo bem meu amor! Titia agora só pode te dar orações e as darei, todos os dias, não com sentimento de remorso ou de arrependimento, mas com o sentimento do amor que sempre habitou meu coração, mas que eu nunca te falei!
Até breve. Até qualquer dia! Esperarei com paz no coração o dia que vc abrirá o sorriso, os braços e falará novamente: oi tia linda!
Amor eterno!
Neste período eu consegui desenvolver minha fé de modo que hoje eu sofro com as perdas, porém dentro do sofrimento cabem a paz e a confiança que Deus não erra nunca.
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| imagem sofrases.com |
Creio que cada pessoa tenha uma forma de fortalecer a sua fé, mas o certo é que ela não se desenvolve 'apenas' com orações. É preciso um movimento em direção a este fortalecimento. Eu não sei explicar como eu fortaleci a minha fé. Só sei que sinto o quanto isto mudou desde o falecimento de minha avó.
Vivendo um dia de cada vez a gente aprende a confiar na Providência e aprende a aceitar o que é inevitável sem desespero.
Embora tenha fortalecido minha fé, tem algo em mim que ainda não desenvolvi: demonstração de afetividade. Eu amo de doer, faço tudo, vivo para ver as pessoas que amo felizes, porém ainda não aprendi a fazer com que elas saibam disso.
E quando a gente não tem esta habilidade desenvolvida, corremos o risco de sofrermos de arrependimento!
Eu amava demais minha avó, porém eu nunca falei para ela isso. Naquele tempo, aos 15 anos, não me lembro se cheguei a me dar conta deste fato, porém eu sei que não basta amar.
Temos necessidade de falar, de demonstrar e eu ainda não aprendi a fazer isso.
Eu tinha uma admiração muito grande pela minha sogra. Algo no nível 'quero ser a metade do que ela é no futuro'. Convivemos por mais de 20 anos, ela adoeceu, eu ia lá ficar com ela, acompanhei a evolução da doença, ela esteve consciente até a véspera de sua passagem e mesmo sabendo que era o fim eu não falei para ela o quanto a admirava. Depois que ela se foi restou o arrependimento de não ter verbalizado. As pessoas dizem: ela sabe!, porém o fato de eu saber que ela sabia não alivia em nada esse sentimento. Eu precisava ter falado.
E agora, pela segunda vez me vejo envolvida neste sentimento.
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| E eu nunca falei isso para ela! |
Eu tive oportunidade de fechar o ciclo 'gravidez' assistindo ao parto. Foi sensacional.
Vivenciando esta experiência eu não senti a necessidade de engravidar. Eu vivi intensamente este momento com minha irmã, porém eu nunca sentei com ela e contei esta história.
Eu não conversei com ela, eu não contei o quanto fiquei feliz quando soube que ela era uma sementinha na barriga da mãe dela, eu nunca contei a ela que a primeira roupa da vida dela, a primeira comprada e a primeira que ela usou fui eu quem comprei.
Eu nunca falei para ela a emoção que foi ouvir o coraçãozinho dela batendo naquele aparelho, nunca contei a emoção que senti quando vi sua cabecinha saindo na hora do parto.
Eu não apareci na filmagem das visitas no hospital porque quando eu chegava lá para a visita o cinegrafista do hospital já havia passado e ela pensava que eu não a visitei no hospital. Minha mãe falou que eu fui, minha irmã também, mas eu nunca falei com ela a respeito disso.
Ela morreu sem saber que eu a amava e que ela era importante para mim. Isso hoje está doendo!
Ela viveu 16 anos e eu não falei. A gente sempre pensa que vai ter tempo um dia, mas este dia pode não chegar!
Eu não sei porque eu sou assim, mas espero que esta habilidade seja como a fé e que estas duas experiências me permitam encontrar recursos dentro de mim para desenvolver a habilidade de demonstrar o meu amor, de dizer o quanto as pessoas são importantes para mim antes que elas partam, antes que não dê mais tempo, antes que seja tarde!
Titia te amou desde a concepção, te ama e te amará até a eternidade. Um dia sei que vamos nos reencontrar, que você cumpriu sua missão breve aqui e sei que terei uma nova chance de te abraçar e dizer tudo isso.
Minha linda, meu anjinho, que Deus te cubra com bênçãos de paz e serenidade onde vc estiver. Vai ficar tudo bem meu amor! Titia agora só pode te dar orações e as darei, todos os dias, não com sentimento de remorso ou de arrependimento, mas com o sentimento do amor que sempre habitou meu coração, mas que eu nunca te falei!
Até breve. Até qualquer dia! Esperarei com paz no coração o dia que vc abrirá o sorriso, os braços e falará novamente: oi tia linda!
Amor eterno!
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
O que é preciso para se amar um FILHO?
Começo este post com esta pergunta: o que é preciso para amar um filho?
Eu não gerei meus filhos e daria minha vida por cada um deles. Quando eles eram pequenos e reclamavam de não terem saído da minha barriga eu falava: se você tivesse um problema grave no coração e o médico dissesse que só o meu coração te salvaria, eu daria meu coração para você porque eu te amo e não importa de onde você tenha vindo! Falei isso anos para eles e é a mais pura verdade. Por meus filhos sou capaz de matar e morrer, literalmente.
Agora vamos ponto:
Há alguns dias, cerca de duas ou três semanas, veio a público o caso Duda. Para quem não sabe, Duda é uma criança de 4 anos, quase 5, que foi retirada de sua família biológica aos 60 DIAS de vida junto com 6 irmãos por maus tratos. Todos foram abrigados. Duda ficou cerca de 15 meses no abrigo e está há cerca de quase 3 anos com a família adotiva. Ela não foi adotada ainda porque dependia da destituição do poder familiar para que a adoção se concretizasse. Pois bem, em meio à demora da justiça em julgar a destituição, após quase 5 anos afastada da família biológica, vivendo a maior parte de sua vidinha com a família adotiva, ela está correndo o risco de ser devolvida à família de origem.
Seus pais, os pais que cuidam dela há quase 3 anos passaram por todo o processo para habilitação e aguardaram na fila cerca de 5 anos. O fórum entrou em contato e apresentou-lhes Duda para adoção.
Esta família ama a Duda. Duda ama a família. Esta é a ÚNICA família que Duda conhece. A única família que lhe deu amor e cuidados, porém Duda não nasceu biologicamente desta família.
Quem julga o caso crê que ela deva ficar com a família biológica apesar dos maus tratos, apesar de eles serem estranhos para esta criança, apesar de terem a mesma genética.
E para que Duda tenha o direito de ser mantida na única família que ela conhece, que tenha o direito de ser tratada como sujeito de direito e não como propriedade dos pais biológicos, surgiu o movimento #ficaDuda nas redes sociais! No twittaço, o #ficaduda ficou duas vezes em primeiro lugar no trending topics Brasil do Twitter.
A ANGAAD - Associação Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção, bem como os grupos de apoio de todo o país estão se mobilizando para tentar garantir que Duda e sua família tenham seus direitos preservados!
Aqui neste caso não se está levando em consideração os laços de amor e afetividade ou os danos que a separação desta criança da família vai lhe causar. Só está se levando em conta que os pais biológicos agora, após quase 5 anos, se sentem capazes de recuperar os filhos, isso independente de qualquer consideração sobre o que é melhor para a criança! Leva-se em conta o direito dos genitores de criarem os filhos sem levar nenhum outro ponto desta história em consideração.
Em contrapartida, na última semana Joaquim, 3 anos, que morava com a mãe biológica e o padrasto desapareceu.
Eu não gerei meus filhos e daria minha vida por cada um deles. Quando eles eram pequenos e reclamavam de não terem saído da minha barriga eu falava: se você tivesse um problema grave no coração e o médico dissesse que só o meu coração te salvaria, eu daria meu coração para você porque eu te amo e não importa de onde você tenha vindo! Falei isso anos para eles e é a mais pura verdade. Por meus filhos sou capaz de matar e morrer, literalmente.
Agora vamos ponto:
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| Imagem de Fica Duda - página no Facebook |
Há alguns dias, cerca de duas ou três semanas, veio a público o caso Duda. Para quem não sabe, Duda é uma criança de 4 anos, quase 5, que foi retirada de sua família biológica aos 60 DIAS de vida junto com 6 irmãos por maus tratos. Todos foram abrigados. Duda ficou cerca de 15 meses no abrigo e está há cerca de quase 3 anos com a família adotiva. Ela não foi adotada ainda porque dependia da destituição do poder familiar para que a adoção se concretizasse. Pois bem, em meio à demora da justiça em julgar a destituição, após quase 5 anos afastada da família biológica, vivendo a maior parte de sua vidinha com a família adotiva, ela está correndo o risco de ser devolvida à família de origem.
Seus pais, os pais que cuidam dela há quase 3 anos passaram por todo o processo para habilitação e aguardaram na fila cerca de 5 anos. O fórum entrou em contato e apresentou-lhes Duda para adoção.
Esta família ama a Duda. Duda ama a família. Esta é a ÚNICA família que Duda conhece. A única família que lhe deu amor e cuidados, porém Duda não nasceu biologicamente desta família.
Quem julga o caso crê que ela deva ficar com a família biológica apesar dos maus tratos, apesar de eles serem estranhos para esta criança, apesar de terem a mesma genética.
E para que Duda tenha o direito de ser mantida na única família que ela conhece, que tenha o direito de ser tratada como sujeito de direito e não como propriedade dos pais biológicos, surgiu o movimento #ficaDuda nas redes sociais! No twittaço, o #ficaduda ficou duas vezes em primeiro lugar no trending topics Brasil do Twitter.
A ANGAAD - Associação Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção, bem como os grupos de apoio de todo o país estão se mobilizando para tentar garantir que Duda e sua família tenham seus direitos preservados!
Aqui neste caso não se está levando em consideração os laços de amor e afetividade ou os danos que a separação desta criança da família vai lhe causar. Só está se levando em conta que os pais biológicos agora, após quase 5 anos, se sentem capazes de recuperar os filhos, isso independente de qualquer consideração sobre o que é melhor para a criança! Leva-se em conta o direito dos genitores de criarem os filhos sem levar nenhum outro ponto desta história em consideração.
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| Imagem de Yahoo Notícias |
Em contrapartida, na última semana Joaquim, 3 anos, que morava com a mãe biológica e o padrasto desapareceu.
Joaquim apareceu morto, boiando no rio, enroscado num barranco, há cerca de 150km de sua casa.
Não existe nada confirmado a respeito de a mãe ter participação direta na morte e no descarte da criança, entretanto ela está presa sob suspeita.
Nesta mesma linha temos Isabella Nardoni e Joanna Marcenal, os irmãos João Vítor e Vitor, todos mortos pelos seus pai e a madrasta. Os irmãos foram mortos e esquartejados!
Temos também os casos menos midiáticos, porém não menos importantes, de crianças jogadas em caçambas, em lagoas dentro de sacos com pedra para afundar, de crianças enterradas vivas, jogadas por cima de muro em terreno baldio, abandonadas em formigueiro, ou simplesmente jogadas no lixo. Todas estas foram crianças 'descartadas' por suas mães biológicas.
Então só relembrando estes casos e sem elaborar um juízo de valor porque não é este o objetivo deste post, eu volto a perguntar: o que é preciso para se amar um filho? É sangue? É ter o mesmo DNA? É ter a mesma genética?
Estes casos provam que não!
Conforme falei, eu daria minha vida por meus filhos. Tenho certeza absoluta que os pais da Duda também dariam a vida por ela e nós não temos a mesma genética dos nossos filhos. Eles não nasceram do nosso corpo, mas nasceram da nossa alma!
Nós desejamos ser pais. Nós desejamos estes filhos e os aceitamos incondicionalmente!
Talvez seja esta a diferença entre pais que amam sem ter a genética e pais que matam, apesar de terem a genética do filhos!
Abraço,
Cláudia
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