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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Frescobol X Tênis

Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.
Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzsche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: “Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: “Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice?” Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.”
Xerazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme “O império dos sentidos”. Por isso, quando o sexo já estava morto na cama, e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa, conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites. O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fossem música. A música dos sons ou da palavra – é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer. Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: “Eu te amo, eu te amo…” Barthes advertia: “Passada a primeira confissão, “eu te amo” não quer dizer mais nada.” É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: “Erótica é a alma.”
O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada – palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.
O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra – pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir… E o que errou pede desculpas; e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos…
A bola: são as nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá…
Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão… O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.
Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem – cresce o amor… Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim…

Texto de Rubem Alves postado no blog Tecendo a Propria Vida.

Adorei a analogia deste texto! Espero que gostem também!

Tenham um início de semana abençoado!!!

Cláudia

terça-feira, 14 de junho de 2011

Atingimos a Maioridade: 21 anos juntos!!!


Tudo começou num sonho 2 anos antes de nos conhecermos! Parecia tão real, foi tudo tão intenso, mas era um sonho...
Acordei em prantos, com a sensação de ter encontrado o amor da minha vida, queria tanto encontrar, mas eu acreditava que vc não era deste mundo, ou que era mas eu tinha medo de não te reconhecer porque no meu sonho só te vi de costas!
E ficou a pergunta: como saber quando chegar a hora?!
E veio a resposta: não se preocupe! Quando chegar a hora você saberá reconhecê-lo!
E o tempo passou, a vida seguiu! Por muito tempo eu cri que você não existia neste plano de vida, que vivia num mundo distante e que só nos veríamos em sonhos, eventualmente!
Quantas saudades eu sentia!!!
Um dia outro sonho e um nome: o seu! E eu não conhecia ninguém com nome igual! Seu nome na minha cabeça noite e dia, mas...onde você estava?! Eu não sabia e aquilo me angustiava, mas o destino se encarregou de cruzar nossos caminhos!
Um trabalho voluntário, uma festa beneficente, uma quadrilha, um ensaio e em meio a tantas pessoas que eu não conhecia, existia um André Luiz! E levou tempos para eu descobrir quem era você...ou o dono do nome!!!
Coração aos pulos, voltei com as meninas para me despedir e descobrir, finalmente, quem era o dono do nome que tanto pulsava em meus pensamentos e que tomava conta dos meus dias!
Uma conversa, o caminho para o ponto do ônibus, um olhar e...eu reconheci!!! Era você, finalmente!!! Um frio percorreu meu ser, algo que entrou pelos olhos, percorreu o peito e apertou o estômago! O que era aquilo afinal?!
E mesmo naquele final de tarde frio, o calor tomou conta de mim! E sem pensar em nada, um número de telefone foi passado e a espera para que ele tocasse começou!!!

Um dia o telefone tocou e a voz do outro lado da linha perguntava: você vai ao Planetário na quinta? 'Sim...lógico!', mas...lógico porquê?! Sim, eu fui e você foi!!! E no dia 14 de junho de 1990 você pegou em minha mão para atravessarmos uma avenida e estamos aqui, todo esse tempo, de mãos dadas, de vidas unidas! Já passamos muitas coisas juntos, muitas dificuldades, já tivemos muitas alegrias, muitas preocupações. Estamos unidos pelo amor, pela vida que construímos, por nossos filhos tão amados e desejados!!! Hoje completamos 21 anos juntos e estava escrito nas estrelas nosso compromisso! Atingimos, hoje, a maioridade do nosso relacionamento e não é só na idade cronológica! Amadurecemos muito como pessoas e como casal neste tempo todo!!! Que Deus abençoe ricamente nossa vida em família e que possamos continuar construindo um mundo cada vez melhor ao nosso redor! Que nossos filhos possam ter orgulho de quem somos e dos pais que nos tornamos!!!

E como a vida permitiu que chegássemos até aqui, só tenho a dizer o seguinte:



E eu não tenho dúvidas que o futuro permitirá!!!


Parabéns para nós!!!