quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Dia das Crianças e representatividade!

Imagem tirada de Lembrança Real

Este ano a Taís não pediu presente para o Dia das Crianças.
Na verdade ela nunca pediu. O negócio dela é com o Papai Noel ainda.
Ela, também, nunca brincou de forma tradicional com as bonecas. Qualquer pessoa que veja as bonecas dela dirá que ela estraga. Eu diria que ela customiza.
Pinta as caras das bonecas com canetas de retroprojetor. Segundo ela, não são rabiscos, são maquiagens permanentes.
Faz bandanas com os vestidinhos. Sim, ela cortou todos os vestidinhos e amarrou o que sobrou na cabeça das monstras bonecas que ela customizou.
Acontece que de uns meses para estas bandas ela vem brincando de boneca como toda mãe sonha (toda???), da forma tradicional, fazendo a boneca de filhinha, querendo cuidar, trocar roupinhas, querendo mamadeira (não vou entrar no mérito comercial da mamadeira e o que ela incentiva porque não vem ao caso neste momento) e fraldinhas.
Acontece que ela não tem mais bonecas grandes que possam ser seus bebês. Todas estão com a cara do Chuck, então não rola materná-las]. Assim sendo, ela fez de seu bebê um cachorro de pelúcia medonho, sem focinho, com os olhos estropiados, mas que tem um tamanho bom e é fofinho. Nele cabem roupinhas que foram dela quando nasceu para mim.
Pegou tanto gosto de maternar o cachorrão que me pediu para comprar fraldas.
Em dias que podia levar brinquedos na escola, ela andou levando o seu 'bebê' para brincar com as amigas que, naturalmente, levam bonecas com cara de bebês, mas a Taís é desencanada e não liga para a aparência do bebê dela. Ao menos a vejo brincar feliz e nunca me falou nada!
Por conta desse conjuntinho de coisas fiquei pensando: por que não dar a ela uma boneca? Um bebezão de corpo de tecido, molinho, num tamanho que caibam as roupinhas? E um pacotinho de fraldas, também? E umas roupinhas que foram dela lavadas, passadinhas, tipo um kit de maternidade? E uma mamadeirinha, claro?

Eu sempre fui uma mãe desencanada com as brincadeiras das crianças. Nunca liguei se menino brincava de boneca e fogãozinho, se menina gosta(va) de bola e carrinho de controle-remoto ou caminhões enormes com caçambas para brincar de areia no parquinho. Nunca reprimi nenhum tipo de brincadeira e nunca restringi nenhum tipo de brinquedo. Sempre ensinei a eles que cor faz parte da natureza e é de todo mundo e que brinquedo foi feito para brincar. Fim. É isso o que penso, mas quando um deles tem inclinações ou despertam para algumas brincadeiras que seriam socialmente aceitáveis (e desejáveis!) aos olhos duzotros, também deixo rolar sem reforçar nem criar teorias como 'ah, muito bem, agora você está brincando como uma menina deve brincar!'. Nada disso. Quer skate no final do ano, vai ganhar, mas está 'ligada' em maternar agora, tudo bem, também!

Pois bem, hoje fui colocar meu plano em prática: comprar a lembrancinha de Dia das Crianças. Lembrancinha, mesmo. Nada caro.
Falei para ela que vai ser surpresa, já que ela não pediu nada. A expectativa da surpresa, confesso, é bem mais legal do que ela ficar esperando o tal brinquedo que quer porque vê no comercial.
Andando na rua do centro, passo em frente a uma loja e vejo A boneca. Tamanho ideal, rosto bonito, precinho maaara (39 dilmas). Entro, pego a caixa, olho, o vendedor vem:
- Moço, eu queria essa boneca com pele escura, morena ou negra.
- Ah, não tem!
- Mas não tem porque acabou, ou não tem porque não fabrica, ou não tem porque vocês só compraram bonecas loiras?
- Essa boneca a Estrela só fabrica assim (tenho minhas dúvidas, mas esqueci o nome da boneca para pesquisar), como estas que estão aqui. Mas olha, ela é bem bonita!
- Sim, moço, ela é linda, mas eu quero uma boneca de pele escura.
- Ah, aqui no fundo tem uma em promoção, também. Dela tem com pele escura como a senhora quer...
- Mas, moço, essa boneca é infinitamente menor do que aquela. Quero uma daquele tamanho. Quero uma boneca para que a criança brinque de vestir, colocar fralda como ela está interessada em brincar neste momento.
- Então leva aquela, mesmo! Ela é bem bonita!
- Sim, moço, ela é bonita mas não me serve.

Aí vem uma moça tentando ajudar:

- Ah, mas a criança não vai ligar se a boneca é loira ou se tem pele escura...
- Será, mesmo? Uma criança negra não liga de ganhar uma boneca loira de olhos azuis para ser sua filha? Você acha isso? Você já ouviu falar em representatividade? Eu quero dar uma boneca de pele escura para uma criança mestiça. E quero uma boneca grande. É, no mínimo, absurdo a empresa fazer bonecas de pele escura apenas de tamanhos pequenos. Uma criança mestiça ou uma criança negra não merecem uma boneca grande representando seu tom de pele? Se elas quiserem uma boneca parecida com elas, têm que se contentar com bonecas pequenas?
- ...
- Então, nós temos essa outra que também tem pele escura como a senhora quer...
- Mas é pequena! Olha, tudo bem. Deixa para lá. Vou dar uma andada.
- Para quem é a boneca que a senhora quer comprar?
- Para a minha filha!

Indescritível a cara dos dois!

- Sua filha?
- É! Minha filha! Ou eu não posso ter uma filha mestiça?

Outra moça:

- Senhora, achei esta outra boneca, aqui...
- Obrigada pela atenção de vocês. Vou dar uma andada e procurar em outras lojas. Talvez eu encontre uma boneca grande morena ou negra.

Olha, tudo bem que os vendedores não têm culpa de o fabricante não produzir bonecas grandes com pele escura. Tudo bem, mesmo, mas eu fiquei muito frustrada.
Só não tudo bem eles quererem empurrar um produto que você deixou claro que não quer!
Tive que andar para encontrar a boneca como eu queria sem que fosse a um preço exorbitante só porque tem um peniquinho ou porque fala não sei quantas frases.
Todas as pessoas precisam entender que a boneca é como um espelho. A criança se vê representada nela. Ou não!
As bonecas que a Taís brincou melhor, bastante até, foram bonequinhas pequenas de pele escura. Estas ela não riscou as carinhas e não estragou as roupinhas. Estas ela estragou no banho, porque entrava água e chegou uma hora que tive que jogar fora. Nada mais tirava o mal cheiro de dentro delas mesmo colocando de molho na água sanitária.

Na outra loja, nas prateleiras à mostra, as bonecas grandes eram todas loiras de olhos azuis, também! As de preço baixo. Porque as de cento e muitos reais e que nem são tão grandes ficam à mostra e bem à altura das mãos das crianças. As pequenas também. E quando se pergunta sobre a boneca de pele escura é essa mais cara que oferecem. É só aquele modelo que tem.
Quando entrei na segunda loja e perguntei se tinha 'aquela' boneca lááááá do alto, com pele escura a vendedora disse que não, que só aquele modelo, mesmo, mas quando pedi para que ela pegasse uma para eu ver...supresa!!! Boneca de pele escura atrás da loira. E tiramos a outra loira e atrás uma negra. Gente, sabe...me senti frustrada, me senti com raiva, me senti mal pensando em por qual motivo as prateleiras precisam ter apenas as bonecas loiras na frente? Por que não intercalam bonecas do mesmo modelo loiras e negras na frente para que TODOS vejam que existe diversidade nas bonecas (e nos preços, naturalmente), para que as crianças tenham o direito de se sentirem representadas em seus tons de pele ou, simplesmente, tenham o direito de escolherem se querem um bebê branco ou um bebê negro independente da cor da pele que estas crianças tenham?

Eu achei a boneca que eu queria, como eu queria, do tamanho que eu queria, mas saí com gosto amargo na boca!
Até quando será que esse tipo de coisa vai acontecer? Até quando?
Eu gostaria de ter passado em frente às lojas, ter visto a diversidade das bonecas, ter entrado, visto preço, comprado sem ter tido que ficar explicando, pedindo, quase implorando uma boneca com características que não aquelas das prateleiras!
Eu gostaria e sei que dezenas, centenas, milhares de outras mães também!

Que todos nós, fabricantes de brinquedos, pais, tios, avós, lojistas, vendedores pensemos a respeito do que diz lá em cima na imagem 'toda criança gosta de brincar' e toda criança tem o direito de sentir-se representada quando ganha um brinquedo!

Que o Dia das Crianças seja de presentes, mas muito mais de presenças!

Abraços!

Cláudia




quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Sobre falha de comunicação e filho desaparecido!

Imagem retirada de Psicologia e Relações Humanas
Sexta-feira meu filho desapareceu!
É! Desapareceu! O pai foi buscá-lo na escola por volta das 22h30m e a escola estava fechada.
Começou, então, um pesadelo!
O pai ligava no celular, que tocava, mas que o garoto não atendia. E nessa, as horas foram passando. Chegou as 23h, depois as 23h40m e nada! O telefone tocava até cair na caixa postal mas ele não atendia!
Qual seria o caminho mais rápido para tentar saber dele, então? Redes sociais e um grupo do watsapp!
Um amigo dele criou um grupo para marcarem encontros em pontos da cidade e adicionou o meu número como sendo dele. Comecei por aí. Como ele não estava com este amigo, o garoto me deu endereços onde eu poderia encontrá-lo: casas de jogos eletrônicos!
Publicações no Facebook pedindo informação aos amigos, afinal ele estuda em duas escolas e alguém deveria saber dele. Na minha cabeça isso era uma coisa lógica, mas ou não é tão lógico assim, ou existe um corporativismo adolescente que mesmo que algum deles saiba o que acontece, não se manifesta! Ainda tenho dúvidas a respeito!
Chegou a meia-noite, nós na rua, andando a esmo uma vez que as casas de jogos estavam fechadas. O que fazer? Ir à delegacia? Ah, mas eles só fazem BO com 24 horas do desaparecimento! Ah, mas eles estão acostumados com casos assim, saberão nos orientar!
E fomos parar na delegacia por volta das 2 da madrugada! Orientações recebidas, dados característicos do 'desaparecido', nossos telefones e endereço passados para a GCM. Não se tinha mais o que fazer além de esperar!
Um amigo do filho e seu pai estavam na rua, também, à procura! Nunca terei uma forma satisfatória e suficiente para agradecer! Enquanto nós, feito baratas tontas, não sabíamos o que fazer, eles foram a hospitais e a todos os lugares possíveis!
Madrugada ia alta, ninguém sabia dele, amigos dele me adicionaram em grupo de watsapp, amigas minhas passaram a madrugada orando e/ou me fazendo companhia on-line (isso, também, jamais terei como agradecer!), mães de amigos dele falando comigo, tentando me tranquilizar.
Amanheceu e, por volta das 7 horas, um contato e o 'desaparecido' apareceu! Ele havia dormido na casa de um amigo! Ele nem imaginava que estava desaparecido!
Graças aos céus o pesadelo chegava ao fim!

Essa foi a história do desaparecimento. Agora vou relatar como chegamos a isso, tentando resumir ao máximo, contando apenas o principal para que se compreenda!

Quinta-feira, 02.10, na saída do Senai o filho diz:
- Posso ir dormir na casa de um amigo amanhã depois do Moraes (escola onde cursa ensino médio à noite)? Nós temos um trabalho para fazer e ele falou para eu ir dormir lá para irmos para a casa de outro amigo no sábado cedinho. Como o outro amigo mora longe, ele acha melhor eu dormir lá para irmos junto.
- Pode sim, mas quero que me deixe o telefone e o nome de todos os amigos!
- Preciso de 10 reais para ajudar com os materiais.
- Depois vemos com seu pai.

E aí terminamos a conversa. O pai não tinha o dinheiro nesse dia. Não se tocou mais no assunto.
Na sexta-feira antes de sair para o Senai ele me falou que não voltaria para casa depois da aula. Ele e o grupo iriam ficar no Senai pegando orientação com os professores sobre o projeto e o pai do amigo iria levá-los para a outra escola onde cursam ensino médio.
Não falou mais nada sobre dormir fora. Despediu me lembrando que ia ficar direto no Senai e foi-se. Fo-se, inclusive, sem o agasalho, que esqueceu no encosto do sofá!

Aqui começa nosso primeiro problema de comunicação!

Eu havia dito que ele poderia ir, mas tinha que deixar nomes e telefones. Ele não deixou nada, saiu falando que ia direto de uma escola para a outra, não reforçou que ia dormir fora.
Para mim eles haviam desistido de fazer o trabalho nesse final de semana. Iam pegar orientação com os professores, afinal de contas não somos só nós que ficamos sem dinheiro na última semana do mês, neah?
Para mim ele iria para a aula da noite e voltaria para casa com o pai no horário de sempre, afinal ele não falou mais nada sobre dormir fora depois do pedido!

Para ele estava tudo certo. Ele havia pedido para dormir fora e havia dado o motivo. O pai não teve dinheiro para dar a ele, mas ele poderia dar o dinheiro depois (mas não me falou nada!).
Para ele eu sabia que ele ia dormir fora. Fim.

Segundo problema de comunicação:

- O celular toca e ele não atende. O celular descarrega por volta das 2 da madrugada. Das 22h30m quando demos falta dele até 2 da madrugada o telefone tocou normalmente, mas ele não atendeu. E não atendeu porque o telefone está apagando a tela e parando de tocar mesmo sem ter acabado a bateria, mas isso só fiquei sabendo no domingo quando ele chegou em casa.

- A irmã conseguiu o telefone e o nome do amigo com quem ele estava. Segundo o garoto que passou o telefone, esse amigo 'poderia' saber dele. E é aqui que entra minha dúvida sobre o tal corporativismo adolescente! De onde esse garoto tirou que justamente esse amigo onde o filho fora dormir na casa 'poderia' saber dele? Então...
- O telefone do amigo estava descarregado de fato. Incomunicável!

Terceiro problema de comunicação:

- 'Todos' os amigos estavam no Facebook, menos os que estavam com o filho 'desaparecido'.

A situação tomou proporções inimagináveis! Pessoas passaram a madrugada orando, me fazendo companhia, procurando por ele quando, na verdade, isso tudo poderia ter sido evitado se uma das etapas acima tivesse funcionado!
Se ele tivesse atendido ao celular às 22h30m nada disso teria acontecido, mas o celular estava quebrado e eu não sabia, embora ele tenha dito que me falou. Acontece que ele falou que o telefone dele estava 'bichado', mas eu não imaginava que esse 'bicho' fazia o telefone ficar incomunicável.
Se o amigo tivesse com o celular carregado e tivesse atendido antes das 23h40m, boa parte da confusão que já estava se formando teria parado por ali.

Eu falhei não tendo perguntado? Foi uma falha minha? Se eu tivesse perguntado, confirmado, pedido o telefone e o nome dos amigos antes de ele sair para a aula isso poderia ter sido evitado, também? De certo que sim, mas eu tinha em mente que crio os filhos para serem independentes e autônomos e para isso é preciso que tenham responsabilidade sobre si e sobre seus atos! Se eu deixei dormir fora e dei condições, ELE deveria ter me passado os dados que pedi. Na minha cabeça, se não passou os dados e não falou mais nada era porque não ia. Na minha cabeça isso era muito lógico, mas aprendi da pior forma que não é tão lógico assim quando se tem um filho que economiza palavras e está sempre achando que se comunicou o suficiente. Sim, porque já tivemos outras situações semelhantes de ele falar e achar que estava tudo certo quando não estava porque ele não falou o suficiente para que ficasse tudo certo, mas nada nunca na proporção desta vez!
Enfim, errei eu, errou ele. Erramos os dois por ficarmos, confortavelmente, na zona do achismo!

Então fica aí a dica para adolescentes, para pais, para todos em uma família: COMUNICAÇÃO é essencial. É preciso que todos se comuniquem de forma clara para que problemas como esse (e outros) sejam evitados!
Palavras são gratuitas se você não estiver enviando um telegrama ou não estiver fazendo uma tatuagem, então utilizem-nas sem medo, certifiquem-se de terem sido compreendidos e deixem o 'achismo' de lado!

Ah, sim, usem o celular para se comunicar! O aparelhinho também atende esta função, okay?

A vida hoje está muito tecnológica e as pessoas estão perdendo a habilidade de conversarem, de falarem, economizam palavras faladas como economizam palavras escritas nas redes. Tem redes sociais onde se pode usar apenas 100 palavras (ou seriam 100 letras?). A comunicação interpessoal está se perdendo, inclusive dentro de casa, entre familiares!
Quando eu era criança cresci ouvindo dizer que a televisão era o desagregador das famílias. Mal sabiam aqueles que falavam isso o que estaria por vir no futuro: um aparelhinho nas mãos de cada um, cada um em um canto da casa e mesmo quando todos estão juntos, ninguém está junto de fato, pois cada um tem os olhos e a atenção nos aparelhinhos. Até a televisão perdeu espaço e atenção porque pode-se até estar em frente ao aparelho com o dito ligado, mas os olhos e  a atenção estão nos aparelhinhos que ficam entre os dedos!

O 'desaparecimento' dele não foi uma traquinagem, não foi um ato de rebeldia adolescente, não foi uma forma de se auto-afirmar como um ser independente, não foi uma escapadinha para uma balada ou para namorar. Não foi! Foi 'apenas' falta de comunicação. Não houve intenção de sumir. Aliás, ele nem sabia que estava sumido!

Postei isso para que possamos, todos, pais e filhos, amigos, refletimos acerca de que tipo de relação queremos ter uns com os outros!

Grande abraço!

Cláudia





domingo, 24 de maio de 2015

"Deve parecer com o pai, né?"


Estamos à véspera do Dia Nacional da Adoção e, desde que a Taís nasceu, sempre faço post de aniversário dela em comemoração ao dia, porém hoje vou abordar um tema que incomoda muito os pais independente de os filhos serem adotivos ou biológicos.

Vamos tratar do 'com que ele ou ela se parece'.

Este assunto surgiu num grupo agora, porém é recorrente em grupos virtuais de apoio à adoção. Já vi muita gente postando e comentando a respeito e embora algumas pessoas não se incomodem, a pergunta, via de regra, causa desconforto uma vez que vem de pessoas totalmente estranhas ao convívio da família.

Quando estamos num lugar público como um parquinho ou um restaurante e uma mãe chega com uma criança pequena é fato que esta criança nos chama a atenção. Geralmente nos aproximamos, mexemos com a criança e se esta e a sua mãe forem receptivas, engrenamos numa conversa que vai do elogio à criança ao desejo de saber qual a idade e a curiosidade de saber com quem a criança se parece se for muito diferente da sua mãe.
Esse tipo de abordagem é básica e quase geral:

- Que lindinho! Quantos anos (ou meses) ele tem? Ele não se parece com você, né? Deve parecer com o pai...

E aí vem uma pergunta que sempre me fiz por ter passado por isso diversas vezes: que relevância tem PARA MIM com quem se parece o filho de uma desconhecida? Em quê eu ter esta informação acrescenta em minha vida?
Se não é relevante, se não é importante, porque perguntar? Se não vai acrescentar nada, porque expor as pessoas desta forma? Satisfazer uma curiosidade ingênua? Será tão ingênua, assim?
Que diferença fez na vida daquela mulher que me abordou no parquinho quando meus filhos eram pequenos querer saber porque minha filha caçula não se parecia nem comigo, nem com os irmãos? O que ela ganhou? O que ela levou de bom para ela? O que ganhou a agente de saúde que estava aprendendo a conhecer os setores em expor meus filhos perguntando TRÊS VEZES se eu tinha certeza que eles eram meus filhos e me olhando com recriminação?

É isso que quero trazer como reflexão: porque é tão importante, para nós, sabermos da intimidade de um desconhecido que vimos naquele momento e que, possivelmente, não veremos nunca mais?
O que importa, para nós, se o filho não se parece com a mãe? Se a mãe é negra e o filho é branco, se a mãe é branca e o filho é negro? Que relevância tem querer saber se o pai é branco ou se o pai é negro?

Questionar uma pessoa estranha sobre algo tão íntimo, na minha opinião, é falta de respeito e uma tremenda invasão. Ninguém é obrigado a dar satisfação de com quem se parece o filho, mas em sendo questionadas, elas se sentem na obrigação de dar uma resposta.

Esses questionamentos são para aquelas pessoas que perguntam, que se empolgam em não controlar a curiosidade, mas tem, também, aquelas que olham e te julgam sem falar nada. Elas não perguntam com quem seu filho se parece. Elas te julgam e te condenam sem dizer uma única palavra!
Essas são as piores. Elas nem disfarçam. Não perguntam para satisfazer sua curiosidade ou para eliminar seus pensamentos perversos.
Quem já passou por isso sabe muito bem do que falo.
Eu já fui olhada diversas vezes, quando com toda a minha família, por senhoras aparentemente distintas cujos olhares eram de 'essa vadia traiu o marido. Essa criança não é filha dele'. Os olhares circulam de mim para a caçula, da caçula para os irmãos, dos irmãos para a caçula de novo e dela para o pai e dele para mim. Dá quase para ouvir o pensamento que esse tipo de olhar provoca.
Essa situação é pior do que quando a pessoa te aborda, porque se quando a pessoa pergunta você sente que não tem que expor sua vida, ainda assim tem uma oportunidade de falar qualquer coisa que satisfaça a curiosidade ou desfaça a perversidade do pensamento que a levou a perguntar. Já os olhares são invasivos, mais invasivos que as perguntas, penetram sua alma e causam um mal-estar sem tamanho, afinal que direito tem uma pessoa de me julgar moralmente através da aparência da minha família?

Que direito NÓS todos temos de fazermos pré-julgamento da aparência da família das pessoas que nos são estranhas e que não fazem parte do nosso círculo de convivência? Que direito temos de fazer pré-julgamento sem conhecermos a história daquela família e que direito temos de invadir querendo saber algo que não nos interessa devido à falta de intimidade?

Fica aqui, apenas, uma reflexão para todos nós para que não julguemos as aparências porque não nos interessa, não nos é relevante saber com quem os fii duzotro se parecem e se não é relevante, que contenhamos nossa curiosidade ao perguntar e nossa perversidade ao julgar com o olhar.
Cada família tem sua história e isso só interessa a ela.
Que polpemos os filhos alheios de ouvirem perguntas que possam constrangê-los e que nossos filhos sejam polpados das mesmas perguntas.

O mundo é cheio de diversidade, de mistura de raças e de famílias formadas pela adoção em sua mais ampla diversidade de formação. Em todos os casos filhos podem ou não se parecer com os pais. E isso só interessa a cada família.


Grande abraço!

Cláudia

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Faz um ano!

Hoje faz um ano que nossa família amanheceu dentro do pior pesadelo que uma família pode viver: o descontrole de um carro, o capotamento e uma vida ceifada instantaneamente.
Há um ano perdemos, neste plano de vida, uma de nossas crianças.

E na presença constante da ausência avolumam-se as lembranças!

Em seus 16 anos ela foi um bebê tranquilo e dorminhoco, uma criança alegre, ardida e cheia de energia, uma menina cheia e fantasias, uma adolescente cheia sonhos!
Menina encantada, amava as Princesas da Disney e acreditava que era uma princesa de verdade. Branca de Neve era sua preferida! Em suas fantasias infantis fez-se a própria Branca de Neve e levou outras crianças a viverem a fantasia de estarem com a verdadeira personagem encantada. 
Ela amava a cor de rosa e borboletas. Tinha horror de formigas.
Não resistia a nhoque, lasanha e sopa de feijão. Doritos, Kit-Kat e Coca-Cola eram sua paixão! 
Era perfeccionista desde pequena. Tudo dela tinha que ficar perfeito e ai de quem estivesse perto se suas lições não ficassem como ela queria. Era choro e birra na certa. A letra tinha que ser impecável, a folha não poderia ter uma mínima orelha ou dobrinha. Massinhas e tintas? Ah, essas não podiam ter as cores misturadas. Quantas guerras viveram as duas primas tão diferentes neste sentido! 
Figura irreverente e engraçada. Totalmente desligada. Nunca compreendia uma piada na hora. 
Falava sem parar. Nos almoços de família sua voz, imbatível no timbre, tomava conta do ambiente.
Não sentia vergonha de amar e de expressar seu amor. Elogiava e dizia que amava incansavelmente, mas amava com desprendimento. Era alma livre que queria provar o mundo.
Deixou como legado a alegria e a espontaneidade.

Esta é a Hisla que vive em minhas lembranças, em minhas memórias: a da menina de riso fácil e de alto-astral.
A princesa que virou borboleta e foi entregue nas mãos de Deus!

Aonde estiver, espero de coração que esteja bem e que nada deste plano daqui possa te afetar ou deixar triste.
Um dia todos nós nos encontraremos porque a morte...ah, a morte não existe. É apenas uma viagem!
Que Deus te abençoe e te cuide.

A todos que te conheceram e te amam, que o dia seja de boas lembranças e de orações!



Esta música foi feita para uma menininha que amava borboletas e que se foi para o outro plano de vida ainda criança. Sempre me tocou muito e ficou perfeita para ela, nossa princesa-borboleta.

sábado, 29 de novembro de 2014

Desprender dói, mas é necessário!

Imagem retirada de Toca da Cotia
Eu sou o tipo de mãe que tem sempre uma guerra dentro de si entre a razão e a emoção!
Desde que minha filha mais velha entrou na escolinha aos 3 anos, se dependesse só da minha vontade ela nunca, jamais teria ido a um passeio escolar.
O primeiro passeio que ela foi levou duas míseras horas, porém eu não conseguia caber dentro do apartamento de tão agoniada. Fiquei estas duas horas andando pelo condomínio com o filho do meio no colo esperando o tempo passar, com a chave do carro nas mãos olhando o relógio a cada segundo. Situações assim fazem duas horas parecerem dois séculos.
Depois desse passeio vieram outros, depois o filho do meio entrou na escola também e a situação se repetiu. Os dois iram para os passeios juntos e eu ficava que não me aguentava em casa. Barata tonta me definia nessas situações. Eu só pensava na hora de buscar as crias.
Eles nunca dormiram fora de casa antes de entrarem na adolescência. Isso era impensável.
Saindo do âmbito escolar, a filha mais velha fez sua primeira viagem sem mim, o pai e os irmãos aos 10 anos. Ficou 5 dias fora, com os avós e a prima num cruzeiro.
Gente, para quem sofria com 1 dia, imagine o que foram 5 dias, né? Mas os menores ficaram comigo, a caçula tinha problemas de saúde que me exigiam dedicação, então deu para conciliar a dor no estômago com a vida real.
O filho do meio fez sua primeira viagem sem nós, com os avós e o primo, aos 12 anos. Também foram dias difíceis que foram engolidos pela rotina de uma criança pequena  e o consolo de a grande ter ficado.
Para mim essas experiências são muito ruins. Muito mesmo. E não é questão de falta de confiança porque se eu não confiasse eles não iriam jamais.
Passeios de escola são importantes para a autoconfiança da criança e também estão inseridos num contexto de aprendizagem do conteúdo escolar. Se a gente coloca um filho numa determinada escola a gente precisa confiar que é a melhor e precisa confiar em quem está com nossos filhos cinco dias da semana durante o ano inteiro por, no mínimo, quatro horas diárias.
Passeios com parentes como avós, tios, padrinhos ou pais dos melhores amigos também são importantes, mas que é ruim, é. Não nego.
Este final de semana estou vivendo uma nova experiência destas: é a primeira viagem da caçula sem eu e o pai.
Meu irmão e minha cunhada estão de férias e planejaram uma viagem com todos os sobrinhos. É...então! Este final de semana três dos meus três filhos estão passeando e é a primeira vez da pequena que está com 7 anos.
Foi uma semana de expectativas e ansiedades para todos, porém muito mais para ela que nunca viajou sem a mamãe. Ela ficou num misto de felicidade e pesar, ora querendo muito saber como era o lugar para onde iam, o que ia acontecer, ora falando que sentiria minha falta. Pensa que é fácil passar confiança quando o filho pequeno só falta pedir para você ir junto? Ah, mas não é mesmo! Eu a abraçava e falava: eu também vou sentir sua falta, mas são poucos dias e você vai se divertir muito.
Nada disso é mentira, né? kkk
Como 'todo mundo' ia passear eu fiz meus planejamentos também. Queria fazer um sem-número de coisas que só consigo fazer quando estou sozinha, ou que eu curto mais quando estou sozinha, mas o que foi que aconteceu? Levantei com uma dor de cabeça terrível. Visitinha do tal de Murphy, né? kkk
É possível que seja meu organismo reagindo à minha guerra interna, ou pode ser apenas uma enxaqueca comum, o fato é que apesar do mal estar que me acomete eu não me arrependo de deixar que meus passarinhos aqueçam as asas para, um dia, terem segurança de ganharem o mundo.
Eles não são meus, minhas propriedades. Eles são companheiros de jornada, seres que Deus me confiou para educar, amar, orientar e que vão seguir seus caminhos um dia. Eu e o pai somos o porto seguro para onde eles poderão voltar sempre que quiserem ou sempre que precisarem renovar as energias para novos voos, para novas experiências.
É por ter consciência disso que eu me abro para este desprendimento tão difícil de ser praticado.
A felicidade que eles chegam sempre dos passeios compensa toda a minha agonia, toda a minha barata tontisse e até a possível enxaqueca.
Sobre passeios de escola, uma confidência: mesmo depois de todos estes anos eu ainda choro vendo o ônibus partir, mas tudo bem. Sou chorona, mesmo! ahaha

Como eu poderia privá-la de tamanha felicidade?


E com esta imagem eu sigo esperando as horas passarem para que o dia de amanhã, juntamente com o retorno deles, chegue para encher novamente minha casa e minha vida.

Cláudia

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

MEU filho, MINHA filha! São nossos? Temos certificado de propriedade?


Gente, estou participando de um debate...se é que se pode assim dizer...num post a respeito de uma filha adotiva à procura de sua mãe biológica e posso afirmar que os comentários são os mais variados. Alguns duros, alguns muito duros, alguns nem tanto assim, então estava aqui lavando minha louça, colocando minha roupa para lavar porque preciso da água da máquina para limpar o chão - racionamento e falta de água, né, gentchy - e comecei a refletir a respeito.

Em todas as religiões cristãs se diz que somos todos filhos de Deus, portanto irmãos. Isso inclui os filhos, certo?
Todo mundo compartilha e acha lindo o poema Definição de Filho do José Saramago que fala que filhos são empréstimos de Deus. Okay?
Muita gente diz...eu já ouvi muito e concordo 1000% (não escrevi errado. É mil, mesmo!) que os pais devem criar os filhos para o mundo.

Oras, então porque cargas d'água é tão difícil de se aceitar que um filho adotivo queira, precise ou deseje encontrar sua família biológica para conhecer seu passado, ou saber com quem se parece, ou seja lá que motivo for que o faça ter essa vontade?
Filhos biológicos sonham em ir para o exterior estudar e alguns nunca mais voltam. Foram ingratos com os pais? Foram movidos por falta de amor ou apenas, veja bem, APENAS, buscaram o caminho que sonharam?
Filhos casam todos os dias e vão embora. São ingratos por deixarem a casa dos pais? Ah, isso é diferente, faz parte da vida!
E ir morar fora não faz parte da vida daqueles filhos que foram?
E irem morar sozinhos porque não querem mais ficar morando com os pais depois de certa idade também faz parte da vida ou seria ingratidão?
Ah, mas filho biológico é biológico. Tem a minha origem. O kay, mas o filho biológico não busca outras necessidades, não acalenta em sua alma outros desejos? Você quer que ele seja médico, mas ele quer ser piloto de avião. Você sonha que ela seja dentista, mas ela quer ser designer de bolo ou personal trainer. Você sonha que ele seja um engenheiro, mas ele quer ser professor de filosofia!
Não atender aos desejos e anseios dos pais é ser ingrato?
Porque é que alguns aspirantes a pais adotivos ou mesmo os que já são pais adotivos anseiam  que o filho esqueça e apague de vez o seu passado e a existência de uma família biológica?
Porque hoje em dia se propaga tanto a importância de contar a verdade, que o filho precisa saber a verdade sobre ser adotivo, mas não se aceita que o filho possa vir a ter o desejo de conhecer a família de origem?
Porque o desejo de buscar a família de origem é considerada ingratidão se quando adotamos não estamos fazendo caridade? Não é isso que se fala tanto nas redes sociais, também? Adotar não é caridade? Se não é, então porque o filho desejar conhecer a biológica torna-se ingratidão?
De onde se tira que filho que quer conhecer sua origem não ama ou não valoriza 'a família que a criou'. Gente, filhos adotivos comentam isso: 'tem que valorizar e amar a família que te criou'.
Aqui eu tenho uma família. Meus filhos são meus filhos. Eu e meu marido não somos 'a família que os criou'. Eu e meu marido, junto com eles, formamos uma família. E só!
Porque os filhos que desejam procurar suas famílias de origem são tão duramente atacados (inclusive por outros filhos adotivos!) se se entende que suas famílias não fizeram caridade?

Muita coisa para refletir, né?

Eu tenho comigo que
1. O amor que se constrói ao longo da vida não se apaga apenas porque o filho conhece sua mãe biológica, sua genitora ou seja lá o nome que queria dar.
2. A família não se desagrega porque um  filho, ou dois, ou três desejou conhecer sua(s) família(s) de origem.
3. Desejar buscar a família de origem não tem nada a ver com ingratidão ou falta de amor, assim como ao filho biológico, ir estudar no exterior e decidir ficar por lá também não tem.

Aí eu pergunto: qual é o objetivo da adoção? É dar criança para uma família ou é dar uma família para uma criança?
Se você respondeu dar uma família para uma criança, você acertou!
Ninguém procura uma criança que seja adequada para uma família, mas sim uma família que seja adequada para uma criança, ou duas, ou três.
Sendo assim é a família que é da criança e não a criança da família!

Vamos pensar e refletir, gente!
Nós adotamos para sermos pais, mas nossos filhos não são nossos. Nossos filhos são empréstimos de Deus, Ele nos confia esses pequenos seres para serem amados, criados da melhor forma possível, dentro de valores e princípios, mas eles não são nossos. São do mundo, são da vida e têm, sim, um passado que precisa ser respeitado e que, em surgindo curiosidade ou desejo de ser conhecido, precisa ser apoiado.
Amor e gratidão não têm nada a ver com isso. É pessoal, é desejo de identificação, é vontade de perguntar 'porque você me deu' olhando nos olhos.
O filho vai conhecer alguém por quem vai desejar constituir família, vai casar e vai embora de casa viver sua vida. O mesmo vai acontecer com a filha.
Com a mãe biológica isso nunca vai acontecer. Ela não é ameaça para um amor construído. Ela pode ser algo que falta para que o filho(a) faça a conexão entre o passado e o presente para ter um futuro mais feliz, mais pleno, mais livre!
E com amor e sabedoria pode-se somar ao invés de dividir.

Ah, sim, a teoria das maltratadoras, dos abusadores não cabe neste contexto uma vez que quando nossos filhos decidirem por conhecer esta origem (se decidirem!) já terão tido uma vida de amor, proteção e terão idade o suficiente para não sofrerem, mais, nenhum tipo de situação relacionada ao passado.
Ainda que tenha ocorrido algo assim, se ele quiser ir atrás para saber o que ficou lá, é um direito dele.

Ah, não quero que meu filho sofra com esta busca. O que ele poderá encontrar?
Naturalmente nenhum pai, nenhuma mãe que ame seus filhos vai querer que eles sofram, mas deixa eu contar uma novidade: eles sofrem! Siiiim, eles sofrem! Sofrer faz parte da vida! Sofrem por amor não correspondido, sofrem por não conseguirem o emprego que sonham, sofrem por não poderem ir a um tal show que tanto sonharam por algum motivo qualquer e podem sofrer desilusões, também!
É para isso que estamos ao lado deles: para sermos ombros, para acolhermos, ampararmos, secarmos as lágrimas com o nosso amor toda vez que eles sofrerem, seja por que motivo for, porque impedir que sofram, aaaah...isso não nos compete!

Cláudia

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Bullying na escola- vamos combater! (editado)

Imagem de Soraya Borges

Tem muita gente que não gosta de ouvir/ler frases como 'só quem é mãe sabe...', 'só quem é mãe entende...', porém só quem é mãe e teve um filho que sofreu bullying na escola sabe o que isso significa!
Geralmente o bullying na escola acontece de forma silenciosa e com a apoio ou a omissão dos adultos lá inseridos!
Bullying marca a criança para a vida toda e disso eu sei!
Quando a Taís sofreu bullying ela sofreu muito. Ela chorava dormindo, ela parou de comer, ela tinha dores de barriga para ir à escola, ela vomitava na porta da escola, ela teve febre e levou foi tempo para eu descobrir o que estava acontecendo. Veja post da época a respeito do ocorrido aqui ---►BABY BULLYING.
Eu tive que brigar muito para que a situação se resolvesse. Tive que ir a um psicólogo para que este afirmasse que o que minha filha sofria dentro de uma escola de educação infantil era bullying sim. Tive que ameaçar a diretora de denúncia à secretaria da educação, uma vez que esta ria e dizia que era tudo 'coisa de criança' e que eu via tv demais.
Resultado? Minha filha tem horror dessa escola até hoje. Não gosta de passar nem na porta. Todas as lembranças dela de lá são de sofrimento e ela teve até que um ano bom, lá. Infelizmente o que a marcou foram os últimos 3 meses.
Esta semana teve uma atividade em que ela tinha que dizer porque gosta da escola que estuda e a resposta foi: porque lá os amigos respeitam os outros.
Essa foi uma experiência que vai marcar a vida dela para sempre.
Vamos ensinar nossos filhos a conviverem em harmonia com as diferenças, a respeitar os colegas e a entender que somos todos HUMANOS, portanto, perante Deus, iguais, independente da cor da pele, independente da textura do cabelo, independente de qualquer coisa que possa diferenciar um do todo.
Bullying não é brincadeira, não é 'coisa de criança'!
Bullying é coisa séria!


Observe seu filho. Se mudar o comportamento e não disser nada, desconfie. Se conversar na escola e ouvir que está tudo bem, que não tem acontecido nada diferente com seu filho, desconfie, não da escola, mas que esteja acontecendo algo que nem mesmo a escola se deu conta!
Muitos casos de bullying são tratados como brincadeira.
Se detectar o bullying procure ajuda.

*Acho que postei sobre o bullying que a Taís sofreu, mas não postei a continuidade. Conforme falei acima, tive que brigar muito para que a situação se resolvesse devido à idade das crianças e devido ao pouco caso que a escola fez.
O psicólogo que a avaliou falou que crianças dessa idade não comentem o bullying intencional e deliberadamente como os adolescentes, porém o efeito de sofrimento emocional decorrente das ações das outras crianças estavam causando o efeito de bullying na Taís e tinha que ser resolvido logo sob o risco de em poucos dias todas as outras crianças estarem falando as mesmas coisas para ela.
Li nos comentários do post anterior pessoas falando que a situação não precisava ter chegado a esse ponto e eu concordo em gênero, número e grau. Se a professora tivesse tomado a atitude que tomou depois de todo esse estress no dia que falei com ela, tudo teria se resolvido na instância da sala de aula, afinal eram crianças de menos de 3 anos, porém todos os adultos da escola deram menor valor ao efeito, se apegaram em conceitos e empurraram com a barriga.
Eu, sob orientação do psicólogo, tive que arrastar minha filha para a escola até que essa situação toda se resolvesse, quando minha vontade era tirar ela de lá e não levar mais. Deixar em casa até o ano seguinte.

**Campanha iniciada no Facebook em solidariedade a uma mãe que está passando por este triste problema agora e não está tendo o apoio da escola para a sua solução!

Vamos dizer NÃO ao bullying na escola!


Cláudia

sábado, 13 de setembro de 2014

Pecados maternos: primeira visita ao pediatra!


Passeando pela net hoje li um texto que me remeteu à lembrança do meu primeiro pecado materno e, consequentemente, minha primeira culpa. Podemos dizer que foi o dia em que estreei nos insondáveis caminhos da culpa materna.
Vou relatar este episódio que hoje é engraçado, mas que quando aconteceu me deixou arrasada. rss

Mãe de Primeira Viagem

Quando a gente tem o primeiro filho tudo é novidade. Nos primeiros dias, até nos primeiros meses, tudo é vivido pela primeira vez.
Estava eu com um bebê de 15 dias quando fomos pela primeira vez ao pediatra.
O pediatra foi escolhido a dedo. Tinha que ser o mesmo que cuidou do meu irmão. Não poderia ser outro, afinal como eu poderia confiar em um médico que eu nunca vi?
Já fazia muito tempo que ele tinha deixado de ser pediatra do meu irmão...rss...e a lembrança que eu tinha dele era de um homem afável, sorridente e muito agradável com crianças. Em minhas memórias não figurava a lembrança de como ele era com as mães.

Dia da primeira consulta:

Eu queria impressionar o médico. Queria que ele me admirasse como mãe, que ele visse como o meu bebê era bem cuidado. Acordei ainda de madrugada, antes das 6h da manhã e separei a roupinha que ela iria vestir:
- 01 par de meias, body, mijão com pé, macacão, casaquinho de malha e um enfeite para os cabelos porque ela tinha muito cabelo. Devo dizer que tudo isso, tuuuuuudooooo era branco.
Imagine só que coisa mais linda começar a despir o bebê todo vestido de branco na frente do médico. Uiiiii...dava até emoção! Ozói ficavam marejados de tanta emoção!
E tira o bebê do berço, dá banho, veste tuuuudo aquilo ali de cima, dá mamá, espera arrotar, enfeita o cabelo da criança com o enfeitinho de velcro que não parava de jeito nenhum e que só servia para estressar. Isso tudo feito, pega-se o bebê, joga-se um chale de lã branco por cima e sai-se de casa com o peito cheio de felicidade por estar indo ao pe di a tra. Que sonho!
Há algo de errado nisso, tirando o enfeite de cabelos?
Eu diria que não se ela tivesse nascido nos meses de julho ou agosto, porém ela nasceu em meados de janeiro. Ooooh.
Para mim esse era o jeito certo de se vestir um bebê. Eu já tinha 27 anos e todos, absolutamente todos os bebês que eu conheci eram vestidos assim. Digamos que no lugar do body se utilizava o pagão que eram duas peças de cambraia ou de malha: uma sem mangas que amarrava nas costas e uma de mangas compridas que se amarrava na frente e a mãe tinha que ficar virando o bebê de barriga para baixo e de barriga para cima como se fazendo coquetel em coqueteleira. Como as duas peças ficavam abertas era necessário usar fita crepe Cremmer, que geralmente era colorida. (muitos risos)
 Nem sei se pagão ainda existe! Só sei que eu detestava e desejei dar abraços eternos em quem criou os bodys. rss

A consulta:

Sala de espera, bebê ficando impaciente, procurando peito, a mãe tira a mamadeira da bolsa e assim que o bebê começa a mamar a secretária anuncia que é a nossa vez.
A mãe toda boba entra no consultório dando a mamadeira para o bebê e, adentrando a sala, ainda teve tempo de ver um sorriso no rosto do médico antes que este fechasse a cara e perguntasse rispidamente:
- Porque é que essa criança está tomando mamadeira?
Não teve bom dia, não teve um prazer, sejam bem vindos, pois o papai estava junto. Nada! A primeira frase que ouvi já foi uma bronca.
Bochechas vermelhas, respondi que os peitos com leite estavam há alguns quilômetros de nós e por isso ela estava tomando mamadeira. Com isso ele sorriu novamente, apontou a cadeira e falou 'sentem-se por favor' de forma amigável para meu alívio, uma vez que já estava com vontade de sair correndo dali.
Alguns longos minutos conversando para que ele conhecesse melhor o meu bebê, chega o tão esperado momento 'mãe perfeita' de tirar as roupas na mesa de exame. "Ele achou ruim a mamadeira, mas agora vai ver como eu cuido muito bem dela" pensava eu inocentemente!
Deita o bebê sob os olhos atentos do pediatra. Tira o casaquinho. Abre o macacão e, conforme vai tirando a peça o pediatra olha indignado e pergunta, em sua forma originalmente ríspida:
- porque esta criança está com macacão e com outra roupa completa por baixo, mãe?
E aquela onda de calor e vontade de sumir invadiu novamente a mãe:
- porque é assim que se veste bebês recém-nascidos!
- quem disse isso, mãe?
- eu sempre vi os bebês serem vestidos assim...
- bebês que nascem no inverno, suponho?
- não, doutor! Qualquer bebê, em qualquer época do ano.
Nessa hora eu só sentia vontade de chorar, mas fui respondendo e tirando a roupa da criança. Tira o mijão e...aaah, estavam lá as meias! Ah, as meias! Que ódio que fiquei delas e de mim naquele momento! Vontade de engolir aquelas malditas meias!
- Eu não acredito que ela estava usando 3 meias!
- É um par de meias, só, doutor...
- Não senhora! O macacão tem pés, a calça tem pés e isso por si já constitui 2 meias, uma por cima da outra. Qual a necessidade de tanto agasalho nos pés dela?
- ...
Criança só de fraldas, suada, grudenta e cheia de brotoejas. Naturalmente veio mais bronca:
- Mãe, toda essa alergia dela é por causa do suor. Isso coça, incomoda e ela está assim graças a esse monte de roupas que você coloca nela!
E eis que veio a primeira culpa materna: eu fui a culpada de ela estar cheia de brotoejas! Não movia um músculo da face deixando permanecer apenas um sorriso pálido, mas mentalmente: buááááááááááaáááááá

Terminado o exame clínico nela ele me ensinou como dosar as roupas já no momento de vestí-la, mas eu não a vestia taaaanto assim em casa. Só quis causar boa impressão. Ainda assim as dicas foram valiosíssimas levando em conta que ela era muito calorenta.
Saí de lá desejando nunca ter ido, arrependida de não ter procurado um médico desconhecido porque, né, vai que ele não brigasse daquele jeito, que fosse mais bonzinho com mães de primeira viagem.

Esta foi a primeira consulta pediátrica da minha primeira filha. Foi difícil, foi traumática. Chorei dias toda vez que lembrava das broncas dele, da voz ríspida falando com energia.
Fiquei traumatizada de colocar roupas nela, também. Toda vez que o tempo esfriava e eu sentia que era necessário vestir mais, colocar pagão e body por baixo do macacão meus braços até doíam, meu coração ficava disparado e eu ficava atenta se os cabelos dela ficavam molhados de suor. Às primeiras gotas de suor já corria despi-la um pouco.
Fiquei em dúvida se tentava outro pediatra ou se continuava com ele, mas a confiança falou mais alto e decidi ir mais uma vez para sentir como seria. Fui na segunda consulta e foi maravilhoso!
Ele era um excelente médico, orientava tudo direitinho, me passava confiança e depois eu entendi que ele não adulava mãe. Ele queria que a mãe zelasse direito pelo bem estar da criança.
Ele era o pediatra e visava a criança, não a mãe, mas em se fazendo tudo direitinho ele era educado e muito agradável com a mãe também! (risos)
Vi muitas mães de primeira viagem saírem da sala dele chorando, mas eu aguentei firme. Deixei para chorar em casa. (risos)

E assim é a vida materna: a gente comete pequenos pecados ao longo da criação dos filhos, nos sentimos culpadas e no fim acaba dando tudo certo.

Beijos,

Cláudia

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Pequenas gotas de amor!

Sábado eu passei o dia de cama.
É...um programa nada legal para um sábado.
E quando uma mãe fica inutilizada doente, filho pequeno aproveita para fazer arte, não é mesmo?
Foi o dia inteiro um tal de 'mããããe, posso ligar o teclado?', dez minutos depois 'mããããe, posso subir na árvore (eu não estava deixando poque andou aparecendo marimbondos e ela é alérgica), mais dez minutos e 'mããããe, posso isso', 'mãããããe, posso aquilo'.
Passamos o dia nessa porque nada, nenhuma atividade apreende a atenção por mais de 10 minutos, até que:

- mããããe, posso fazer amarelinha no chão com carvão?
- não...
- aaaaaaah, purqueeeeê?
- porque você joga carvão na casa do vizinho. (sim, ela fez isso!)
- maiseu num vô jogá, mãããe!
- então pode, mas faz a amarelinha lá perto do muro.

Ela ficou boa parte da tarde no quintal, riscou o chão, brincou de amarelinha, chamou a Laica para pular amarelinha com ela, brigou porque a Laica não brincou direito, brincou de correr com a Laica.
Ontem quando saí no quintal pela manhã dou de cara com isso na parece:


Na hora que vi, primeiro achei fofo. Depois fiquei brava, afinal quem deixou a criança escrever na parede? Tudo bem que a parede está para ser reformada, está suja e tal, mas e se estivesse pronta?
Pensei em chamá-la para tirar satisfações e, mais uma vez, dar o chá de língua que não se escreve em parede, que agora as paredes estão feias, mas que logo estarão reformadas, que não vai mais poder escrever e todo aquele blá, blá, blá que uma chata boa mãe faria, mas me perdi no pensamento lendo e relendo a parede e, de repente, meus pensamentos fugiram para outro ponto. De repente a arte na parede ficou linda.
E ficou linda pelo significado. Num segundo eu olho e vejo rabiscos na parede, em outro eu olho e vejo:
- 1 conjunto (daqueles matemáticos, lembra?) com um título, um coração e nomes de componentes da nossa família. Todos eles, sem uma ordem, sem um grau de maior ou menor importância.



- um coração formando um conjunto: Deus e Jesus.


E então entrei e não a chamei. Deixei a obra de arte lá, quietinha, e ela pensando que eu não vi. Sim, porque eu sei que ela sabe que se eu visse, que iria brigar. rss
Passei o domingo pensando a respeito do significado da arte e concluí que ela é uma criança feliz, que se sente parte de um todo, que se sente amada e que está apreendendo tudo o que é importante, ou tudo o que eu e o pai dela valorizamos nesta vida: família, Deus, os ensinamentos de Jesus.

E quem tem família, Deus e Jesus tem tudo nesta vida para ser feliz.
E quem tem tudo nesta vida não precisa levar bronca por uma obra de arte!
Depois de muito pensar, concluí que a obra de arte dela, para mim, são pequenas gotas de amor que ela vem absorvendo como a terra absorve as pequenas gostas de orvalho!

Cláudia

sábado, 6 de setembro de 2014

Socorro! Achei um carrapato na parede!

Este não é um assunto muito empolgante para um sábado à noite, eu reconheço, porém acho que é importante!

Todo ano quando chega setembro, com ele chega a nova temporada de carrapatos!
Eu tenho a impressão que a cada ano eles estão ficando mais resistentes às medidas profiláticas.
No ano de 2013 tivemos muito, mas muito, mas muito trabalho para acabar com essa praga aqui em casa.
Não tinha remédio que fosse eficaz o suficiente para acabar com eles que, pela primeira vez, chegaram em duas espécies: aquele marrom, gordo, enooorme que fica no corpo dos nossos pets e um, que para mim foi novidade, bem pequenininho, parecendo pintinhas, que se alojavam apenas no focinho.
Estes pequeninos parece que procriam em progressão geométrica. Deusolivre.
Foram muitos meses, muitos remédios, muito nojo, muito bicho pelas paredes, nos cantos das janelas, em todo canto.
Sempre que eles aparecem eu dou o remédio por via oral e passo o medicamento de dorso.
No ano passado não foi muito eficaz.
Usamos tudo, tudo que se possa imaginar e mesmo assim eles proliferavam.
Confesso que fiquei traumatizada. Achei que nunca mais iria acabar com essa praga.
Foi só no início de 2014 que, finalmente, conseguimos não ter mais os indesejáveis bichinhos aqui, nem na cachorra, nem no ambiente.
De lá para cá não descuidei mais do medicamento de dorso. Todo mês um flaconete, mas o fato é que o carrapato não fica no ambiente o ano inteiro.
Ontem quando saía para levar a Taís na escola dei de cara com quem? Ele:


Estava imitando a dona Aranha: subindo na parede, só que quem o derrubou e o matou bem matadinho fui eu e não a chuva forte.
Corri dar uma inspecionada na Laica e, felizmente, não tinha nenhumzinho sequer. Como eles nunca estão sozinhos, acho que não caiu dela, até porque a presença deles dá muita coceira e ela não está se coçando. Creio que tenha vindo de algum lugar e ia ter seus milhares de filhotes na minha parede. Ia sim!
Como já tem pouco mais de um mês que a Laica recebeu o flaconete dorsal, corri comprar outro e já passei.
Agora tenho que fazer a profilaxia do ambiente: remédio para lavar o chão, a casinha e borrifar nas paredes, pó para colocar na casinha quando secar, para passar no pelo.
Uma trabalheira que desta vez tem o objetivo de impedir que eles se instalem nela e em todo o ambiente novamente.

O motivo é muito maior que nojo e, naturalmente, que o incômodo que ele causa na pobre coitada.
Carrapatos são transmissores de várias doenças e tem doenças bem graves que podem causar a morte.
Conversando com a dona do petshop ontem ela me disse que aumentou muito o número de cachorros doentes por causa de carrapatos no último ano.
Minha amiga Deborah já perdeu dois cães com uma das doenças provocadas pelo carrapato que afeta os rins do animal.
As doenças até são tratáveis, mas têm tratamento de alto custo, então o melhor, mesmo, é tentar evitar tanto pelo bem estar do pet, quanto pelo gasto.
Também existe uma espécie de carrapato: o estrela, que transmite doença para o ser humano e pode ser fatal.

Por conta disso deixo o alerta: mesmo se fazendo profilaxia, mesmo tendo coleira anti-carrapato ou colocando o medicamento de dorso, observe bem o ambiente, veja se não aparecem esses indesejáveis visitantes porque eles vêm de outros lugares.
Quando passear com o pet na rua, principalmente em parques onde há grama, dê uma inspecionada para ver se seu pet não trouxe algum para casa.
Posso afirmar que um carrapato faz um estrago tremendo. Eles ganham muitos, muitos bebês minúsculos que andam com uma rapidez absurda e se infiltram nos pelos com muita habilidade.
Eu sei porque a Laica é clara e eu 'pesquei' muitos bebezinhos dos pelos dela no ano passado.

A dica que a dona do petshop deu foi: não mate o carrapato estourado. Eu li que é quando ele seca que os bebês nascem, porém ela disse que, em estourando eles, os bebês nascem do mesmo jeito.
Ela sugeriu colocar em vidro com tampa ou colocar fogo.
Como não fiz pesquisa e não tenho certeza de como eles nascem, se nascem da mãe explodida, é melhor prevenir e não estourar os dito-cujos.

Beijusss,

Cláudia