domingo, 13 de julho de 2014

Eu sou brasileira, com muito orgulho, com muito amor!



Agora é fato: Seleção Brasileira, abatida, apática, conseguiu a quarta colocação entre os melhores do mundo.
Para o brasileiro, de modo geral, o importante mesmo é ganhar, porém estar entre os melhores, ainda que em quarto lugar, não tão ruim assim. Pelo contrário se lembrarmos que haviam 32 seleções nesta Copa!

Problemas tivemos! E muitos!
Além dos problemas de arbitragem (que não fariam grande diferença se a equipe fosse coesa), éramos a Seleção de um jogador só!
Sob minha ótica, quando Zuñiga quebrou a coluna de Neymar quebrou, também, as pernas o ânimo, a vontade, a energia de toda a Seleção.
Tivemos, nos dois últimos jogos, o pior desempenho de toda a história da Seleção Brasileira. Nada menos que 10 gols.
Foi triste, foi frustrante, mas o que a vitória ou a derrota muda na vida da gente? Absolutamente nada!
A felicidade por um possível título teria durado o tempo que vai durar a tristeza pela perda: o espaço de alguns dias!
Para mim não existe teoria de conspiração, bla, bla,bla Whiskas sachê. A nossa Seleção era fraca, desorganizada e sem estratégia. Fim.
E a vida do brasileiro segue! E nossos problemas, agora sem o foco da Copa, virão à tona novamente!
A derrota da nossa Seleção na Copa não me faz menos brasileira, nem me faz ter vergonha de ser brasileira porque a vergonha, mesmo, vem da educação sucateada e de péssima qualidade, dos hospitais públicos que não têm a mínima condição de atender dignamente nosso povo, vem do sistema de corrupção em todas as esferas da administração pública. Isso, sim, é vergonhoso!
Eu amo o Brasil, continuo amando a Seleção e, mesmo sem terem conseguido ganhar a Copa, parabenizo os meninos que tiveram (alguns deles) muita honradez e humildade, principalmente nos últimos jogos!
E se a Seleção não levou o título, o Brasil ganhou a Copa fora do campo como a nação que recebeu com carinho e respeito os milhares de turistas que aqui estiveram neste último mês, que conseguiu dar conta da organização e da infra-estrutura necessárias para que tudo corresse bem, que conseguiu fazer uma bela festa por amor ao futebol.

E é isso. Eu continuo brasileira, com muito orgulho, com muito amor!
À Seleção, como faz a  mãe de um filho que repete o ano escolar, deixo toda a muita força, acreditando sempre que esse filho pode se superar, pode correr atrás do tempo perdido e pode se levantar!

Por hoje, o que me resta é desejar boa sorte à Alemanha, não pela rivalidade contra a Argentina, mas sim por acreditar que a Alemanha fez uma campanha muito superior e merece o título deste ano!

Boa sorte, Alemanha!
Viel Glück, Deutschland!




sexta-feira, 11 de julho de 2014

Relação da Taís com a carne

Estou reformulando a vida e nesta reformulação consta voltar a postar no blog.
A praticidade e o imediatismo do Facebook acaba nos deixando acomodadas. Comigo, pelo menos, aconteceu isso! rss

Bem, vamos lá então!

A Taís, embora coma feito passarinho, sempre teve uma alimentação bem balanceada.
Ela come pouca quantidade, mas come praticamente de tudo.
Sabe aquele menininho que dava piti no mercado querendo brócolis? Então...ela é igual!
Já vivemos diversas situações engraçadas no setor de feira do supermercado, porque ela me puxa querendo que eu pegue de tudo que tem nas gôndolas. Se depender dela venho com o carrinho lotado de brócolis, couve-flor, couve, alface, tomate e todos os legumes que ela souber o nome.
Certa vez uma senhora ficou observando ela, depois virou para mim e disse: 'nossa, ela come tudo o que está pedindo?', quando eu disse que sim, que ela comia de tudo a senhora arrematou: 'que bênção esta criança! Meu filho só faz esse tipo de escândalo no setor de biscoitos e chocolates'.
Bom, a senhora em questão falou em escândalo mas a Taís não faz escândalos de gritar, chorar, espernear. Ela só fala alto e tem muito entusiasmo. ahaha

Pois bem, se a Taís aceita bem a maioria dos alimentos que boa parte das crianças rejeita, em contrapartida temos um problema muito sério com carnes.
Ela sempre teve muita resistência.
Aqui nós não temos uma alimentação basicamente carnívora, porém sempre tem algum alimento à base de carne e ela até come, mas sempre relutando, e sempre poucos pedacinhos minúsculos.
Quando minha cunhada fez um galinheiro, ela conheceu galinhas andando, todas fofas e, posteriormente, descobriu que o peito de frango que ela tanto gostava vinha de um bichinho daqueles, que tinha que matar e tal, ela ficou péssima. Ficou um bom tempo sem querer carne nenhuma de frango. É, porque peito de frango era a única carne que ela até que comia bem.
Houve um tempo em que ela tentou encontrar um jeito de tirar bifes das vacas sem que se precisasse matar as pobres coitadas. Quem sabe anestesiar a vaca, tirar bifes e depois fazer curativos até sarar. Isso porque moro numa cidade de interior e vemos muitas vacas pastando em determinados lugares. Ela acha um verdadeiro absurdo matar a pobre vaca para tirar bifes e, para falar a verdade, passei a achar isso também. rss

Outro dia no carro seguiu esta conversa:
- mãe, no céu tem bichos como aqui?
- tem, sim.
- e é verdade que lá no céu os bichos são todos mansos?
- é verdade, sim.
- e lá no céu tem gente que mata os bichos para comer?
- não, filha, lá no céu ninguém mata bichos para comer!
- uuuuufaaaaa! Ainda beeeem!
Isso com os braços para cima! Pensa no tamanho da felicidade e do alívio da criança. ahaha

Por conta dela e dos outros dois, que também não são muito chegados em carne, já pensei em me tornar vegetariana, mas ainda não me animei.
Por causa especificamente da Taís já me peguei pensando em como somos grotescos nesse sentido de matar os animais para a nossa alimentação, sendo que a natureza nos presenteia com uma diversidade tão grande de alimentos.
Não sei se um dia ela pega gosto, mas com a consciência que tem a respeito das coisas, creio que o vegetarianismo seja o futuro da alimentação da minha pequena.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

A Copa não acabou!

Eu amo futebol e sou louca por Copa do Mundo no nível enfeitar a casa toda em verde e amarelo!
 Não é novidade para ninguém que eu fui contra a Copa no Brasil desde quando foi anunciado que o Brasil seria sede desta Copa de 2014. Sempre fui anticopa aqui porque acredito que o Brasil tinha diversas outras prioridades antes que pudesse sediar uma festa como esta. Não...eu não fui às ruas protestar, não quebrei nada, só coloquei fogo nas bocas do meu fogão para cozinhar e muito embora eu soubesse que não faria diferença nenhuma eu ser contra ou a favor, que ia ter Copa, sim, eu não me animei a enfeitar a casa este ano.
A Copa começou e eu acompanhei desde o princípio sem grande entusiasmo. Assisti a tão polêmica abertura que, na minha opinião, não foi tão ruim como o propagado, mas acho que poderia ter sido melhor se o coreógrafo fosse daqui. É certo que não foi um espetáculo de encher os olhos, mas foi bonito.
Eu e a Taís acompanhamos quase todos os jogos. Quase todos, mesmo. Não só os do Brasil. Ontem, tomando o café da manhã com ela, a pequena fã futebolística, do alto dos seus 7 anos, me olha e segue-se o diálogo:

- mãe, eu acho que o Brasil não vai ganhar da Alemanha.
- eu também acho que agora o Brasil não passa, filha.
- mãe, eu queria que o Brasil tivesse o goleiro Krul ou o Cilessen no jogo de hoje.
- e porque? O Júlio César é bom goleiro, também.
- é...mas eles são melhores.

 Parece que ela prenunciava a tragédia do jogo de logo mais. Nem dá para tentar entender o que aconteceu. Só sabemos que, por agora, o sonho do hexa foi adiado para o futuro, porém a Copa não acabou. Sábado tem jogo para definir os terceiro e quarto lugares, o que se pensarmos bem nem é tão ruim assim, afinal estar entre os 3 ou 4 melhores do mundo não é para qualquer um.
Torcemos, eu e a Taís, minha companheira dos jogos extra-seleção brasileira, para que a nossa seleção se recomponha e faça uma linda partida no sábado. Não vale o hexa, não vale o título, mas somos os anfitriões, a Copa continua até domingo e temos obrigação de levantarmos a cabeça e fazermos bonito.
 A Seleção Canarinho teve sua pior derrota, e dentro de casa, mas não deixou de ser a Seleção Brasileira por isso. Ganhar e perder fazem parte de todo jogo. Para mim o Brasil ia perder de qualquer jeito, ainda que o Thiago Silva e o Neymar estivessem em campo simplesmente porque a Alemanha vem jogando melhor desde o início e eu até já havia cantado a bola, aqui em casa, que a final seria Alemanha e Holanda. O resultado do jogo foi triste, foi vergonhoso, deixou até mesmo os adversários constrangidos, mas o brasileiro tem o poder de superação e tem o incrível dom de ser otimista. Que agora essa derrota sirva de alerta que ter talentos em campo é importante, mas ter estratégias de jogo também é. Que o golpe de ontem seja o início de uma nova era para a nossa querida Seleção. Que tenhamos em mente que o Brasil não é só futebol, que ganhar teria sido a glória, mas que perder não será o fim do mundo. A vida segue.
No geral a Copa conseguiu superar todas as expectativas. Conseguiu encantar os turistas, as delegações, todos elogiando muito o país, a acolhida e a educação do povo. Isso para nós já é uma vitória, afinal a expectativa geral era muito ruim para esse período de jogos no concernente a infra-estrutura e organização. Aos jogadores da nossa seleção, se eu pudesse deixar um recado, seria esse:

"Tente! (Tente!)
E não diga
Que a vitória está perdida
Se é de batalhas
Que se vive a vida
Han!
Tente outra vez!"
 

A vitória só foi adiada. E que venha a Rússia em 2018!
Até lá, vamos todos vivendo.

E que fique para a Seleção Brasileira como um todo, bem como para a nossa nação, as palavras que David Luiz falou para James Rodriguez quando da eliminação da Colômbia na cena que eu considero a mais bonita da Copa:

"Falei pra ele que muitas vezes no esporte o campeão não é aquele que levanta o troféu. E sim aquelas pessoas que têm caráter, que lutam até o final e demonstram isso durante toda a competição e ele mostrou isso."

terça-feira, 1 de julho de 2014

Não é sobre o que as pessoas nos fazem, mas sobre o que nós fazemos para atrair determinados comportamentos das pessoas em relação a nós!

De um modo bem global, generalizado, a Metafísica da Saúde diz que tudo o que nos acontece resulta de determinados padrões de pensamento e de comportamento.
Valcapelli e Luis Gasparetto falam muito a respeito da Metafísica da Saúde e defendem esta teoria de que somos nós, com nossos padrões de pensamento e de comportamento, quem atraímos tudo que nos acontece. Inclusive ambos têm uma série de livros que se chamam Metafísica da Saúde que valem a pesquisa.

Pois bem, sempre que algo ruim nos acontece, sempre que alguém nos faz algo que nos afeta, podemos ter duas formas de comportamento imediato:
1. fulano me fez isso, ciclana me fez aquilo, é muita injustiça, beltrano me..., fulano me...., deltano me...., mimimi, mimimi, mimimi
2. O que foi que EU fiz para atrair o que aconteceu? No que eu contribuí, de alguma forma, para que fulano, ou ciclano, ou beltrano me fizessem tal coisa que me afetasse tanto?

Podemos nos colocar como vítimas das ações alheias, podemos nos colocar como coitadinhos nos acontecimentos, todo mundo é injusto com a gente porque, né, a gente é tão bom, tão prestativo e ninguém reconhece; ou podemos nos colocar como agentes indiretos dos acontecimentos, sem mimimi, tentando encontrar em nós o que estamos fazendo para que determinadas coisas ocorram, muitas vezes de forma recorrente, em nossas vidas.

É o que venho fazendo ao longo dos últimos dias: me perguntando o que eu tenho feito para atrair determinados padrões de comportamento de pessoas em relação a mim. Venho me analisando e tentando descobrir onde eu estou errando comigo mesma para que as pessoas ajam como vêm agindo.
No intervalo de um mês aconteceram duas situações desagradáveis que me levaram a refletir a respeito e eu descobri o que estou fazendo para atrair estes comportamentos desagradáveis: eu estou me violentando. Estou me sabotando, estou deixando de me ouvir.
É...pois é. Quando a gente se coloca como agente da situação e pensa, analisa, a gente descobre onde está o problema NA GENTE e não nos outros.
Redes sociais eram para ser algo prazeroso no contato com pessoas legais, com grupos de afinidades (no meu caso culinária, artesanato, adoção), porém já há algum tempo isso deixou de acontecer.
Venho há tempos pensando em excluir o perfil, mas tem os amigos (não os números, mas amigos de verdade, de afinidade, aqueles poucos que dá prazer estar sempre junto), tem os grupos de culinária que eu adoro e aprendo muita coisa, tem o grupo de artesanato que eu amo. E por conta disso fui deixando as coisas como estavam. Mesmo com vontade de excluir o perfil, fui deixando as coisas rolando e fui ficando cada vez mais desagradada da maior parte de tudo que acontece.
É inegável que as redes sociais viraram um campo de batalha. Tudo é motivo de guerra. Todo mundo posta o que bem entende porque 'o mural é meu eu posto o que eu quero e quem não estiver feliz me exclui'. Acontece que a gente não sai excluindo todo mundo só porque se desagradou de um ou outro post, um ou outro compartilhamento não é verdade? Então!
Eu não sei como ocorre com vocês, mas isso tudo me cansou. Me cansou e eu empurrei com a barriga. Eu não me respeitei, eu não respeitei o meu desejo de excluir e dar um tempo. Eu não me considerei, não considerei que isso tudo estava me estressando, me irritando, que eu não estava curtindo mais, e por conta disso pessoas me trataram com desconsideração.
E não estou falando, com isso tudo, que o problema sejam as redes. Isso de forma alguma. O problema é comigo. Eu cansei e deveria ter dado um basta, mas como trabalho no computador e fico aqui sentada dias, horas a fio, acabo permanecendo mesmo cansada disso tudo.

Eu creio, sim, que somos responsáveis pelo que fazemos e pelo que atraímos para nós devido ao nosso padrão de comportamento e de pesamento.
Eu creio que atraí a tal 'injustiça', que atraí o comportamento de desconsideração porque, afinal, eu estou me desconsiderando há tempos.
Por conta disso estou recuando. Vou ficar apenas com o blog que, a propósito, ficou bem abandonado por conta das redes sociais. Vou voltar à minha essência, viver mais a vida real, deixar de me envolver tanto com a exposição e a vida pessoal das pessoas das redes. Vou cuidar de mim, das coisas que gosto de fazer e com isso vou em busca de mim mesma novamente.
Eu volto para as redes? Não sei! Neste momento não sinto vontade sequer de ligar o computador e neste momento só sei de uma coisa: quero uma vida sem mundo virtual tomando conta. O futuro fica para o futuro tomar conta.
Por agora, este é o melhor que tenho a fazer.

Grande abraço!


domingo, 27 de abril de 2014

Meus Filhos

Indo na contramão das postagens, vou postar um texto que escrevi ontem no Facebook para deixar registrado no blog, uma vez que na rede social os escritos acabam se perdendo...

MEUS FILHOS

Meus filhos não são 'filhos adotivos', 'filhos duzotros'. São meus filhos, filhos que a vida me deu, filhos que eu sabia que existiam em algum lugar para mim desde os 16 anos.
São filhos que eu gestei no meu coração e na minha alma não por nove meses, mas por muitos, muitos anos!
A adoção foi apenas a forma pela qual eles se tornaram filhos porque tendo um útero imprestável Deus precisou providenciar úteros saudáveis para que eles nascessem.
Eles são, simplesmente, FILHOS.
Dão alegrias, dão trabalho, dão preocupações.
Me deixam feliz, me deixam triste, me magoam assim como todo filho, assim como todo ser humano que a gente ama.
Eles estão crescendo e a cada dia estão tomando cada vez mais posse de si mesmos, cada vez mais sendo mais deles e menos meus.
São lagartas em fase de casulos. Um dia baterão asas. Um dia voarão e ganharão o mundo.
E eu sou, simplesmente, mãe! Temo o futuro, temo as possíveis escolhas, temo que eles sofram, mas eles são meus filhos, são meus tesouros, são almas que Deus me confiou para criar, educar e amar.
E se no futuro, em suas escolhas, eles acertarem: celebraremos todos e eu serei muito feliz!
Se eles errarem, se as coisas não derem certo, eles terão sempre as portas da casa e do coração abertos, porque independente de suas experiências eles serão sempre e para sempre, por toda a eternidade, simplesmente meus filhos e como meus filhos eles terão sempre o ninho à espera e um colo quente para se recuperarem, curarem as asas até poderem voar novamente!


E seguindo essa mesma linha sobre filhos, hoje na apresentação do Lucas Lucco - o qual eu desconhecia a existência - no programa do Faustão, a certa altura o pai do rapaz em questão falou em um vídeo. 
Ele disse que perguntou ao pai dele o que um pai faz quando o filho sai de casa e o pai dele, avó do rapaz, respondeu:

"a melhor coisa que os pais podem fazer quando os filhos saem de casa é nunca fecharem as portas para que os filhos saibam que têm para onde voltar".

Achei perfeito!

Que possamos, todos, como pais, dar asas para nossos filhos voarem no tempo deles e que tenhamos sempre as portas abertas, um ninho quente e um abraço carinhoso para o caso de precisarem voltar!

beijos,

Cláudia

sábado, 12 de abril de 2014

O sol voltou a brilhar!

imagem retirada do Google
Hoje eu venho aqui contar uma coisa boa! Eu queria esperar a consulta com meu médico...que nem marquei ainda...mas não estou aguentando!
Venho falar dela, dela mesma: a depressão!
Para entender o que se passou, se não acompanhou desde o princípio, sugiro que leiam antes estes dois posts: E o Natal se foi... e Eu, a depressão e o pânico!

Então, no último post a respeito da depressão, há pouco mais de um ano, eu estava com sintomas de pânico também. Estava praticamente no início do tratamento, há poucos meses tomando a medicação, ainda não sabia se necessitaria de terapia, se ia tomar floral. Enfim, ainda estava meio perdida tanto no tratamento quanto em mim mesma.
Felizmente a partir de maio de 2013 eu deixei de ter os sintomas e não tive mais nenhuma ameaça de crise.
A partir de junho comecei a me considerar bem. Eu já não oscilava mais tanto no humor e não senti mais nenhuma vez o pânico. Já estava dormindo bem e não sentia mais dores pelo corpo.
Na consulta de setembro/2013, embora me sentisse muito bem, ainda estava insegura quanto a começar a sair da medicação, então optamos - eu e meu psiquiatra - por esperar mais um período de dois meses.
Na consulta de novembro/2013 eu estava muito bem, me sentia segura e aceitei fazer o que os psiquiatras chamam de 'desmame'. Passamos, então, para um medicamento mais leve.
Menos de 1 mês depois da troca do medicamento houve o acidente da minha irmã, que resultou no falecimento da minha sobrinha e eu tive muito, muito medo de recair.
Nos primeiros dias até achei que estava recaindo, tive muitos acessos de taquicardia, mas nada mais que isso e a tristeza considerada normal para a situação.
Aos poucos eu fui percebendo que a tristeza era normal e que não estava ativando minha doença. Consegui separar os sentimentos e vi que o medicamento estava indo bem, eu estava indo bem apesar dos pesares.
Neste último fevereiro eu deveria ter voltado à consulta, porém no dia eu estava com dor de dente e fui ao dentista que só poderia me atender no horário da consulta. Como eu tinha, ainda, um bom tanto do remédio, fiquei tranquila.
Naquele dia, em fevereiro, eu estava insegura de parar a medicação. Continuei tomando até a medicação acabar, há cerca de 10 dias. Uma coisa e outra  eu nunca consigo marcar a consulta. O tempo foi passando, nos primeiros dias me senti um tantinho assim pequetitinho preocupada, mas eu continuei dormindo bem, continuei acordando bem, continuei me sentindo bem e hoje, quase duas semanas depois de ter parado com a medicação, eu me sinto bem.
Sinto que estou no leme da minha vida novamente. Sinto que me reencontrei. Meu humor voltou, minha estabilidade emocional também!
Esta semana vou pessoalmente lá no consultório marcar a consulta para pegar minha alta! Essa, sim, será uma grande satisfação!
Estou me sentindo feliz com isso. Muito feliz, mesmo!
Não existe nada pior do que sentir-se inadequada, sem esperanças, sem perspectivas, sem rumo, à deriva.
Não existe nada pior do que essa sensação passar do emocional para o físico e você sentir que pode morrer a qualquer momento.
Eu não sei em que curva da vida me perdi. Eu não sei em que momento adoeci. O importante é que eu sarei!

Conforme falei no outro post, depressão é uma doença, pode acometer qualquer pessoa em qualquer fase da vida.
É uma doença como qualquer outra e precisa de tratamento. O psiquiatra é um médico como qualquer outro médico. Se a gente tem diabetes e trata com endocrinologista, se tem hipertensão e trata com cardiologista, se tem miomas trata com a ginecologista, porque o preconceito com a depressão e o psiquiatra? Não tem porque sentir preconceito.
"Ah, mas as pessoas não entender, falam que é falta de roupa para lavar, falta de casa para limpar". Só digo uma coisa: NÃO LIGUE! Só você está dentro de você para saber o que está sentindo e só você sabe que não te falta roupa para lavar, nem casa para limpar, principalmente se você tiver filhos e trabalhar fora!
Se a alma adoecer, busque ajuda. Tem cura! Tudo nesta vida tem jeito! Não tenha vergonha!
Eu não tive vergonha de admitir que estava doente, briguei para conseguir tratamento e hoje estou bem, finalmente!

Hoje meu sol voltou a brilhar. Até quando? Não sei.
E se a depressão voltar? A gente trata novamente!
E assim seguimos a vida, buscando sempre viver da melhor forma!

Meus problemas deixaram de existir? Naturalmente que não.
Eu nem acredito que a depressão tenha sido em decorrência de algum problema, sabe? Eu adoeci do colesterol e nem como gorduras e frituras. Muitas vezes a gente simplesmente adoece. O importante é querer ficar bem, é querer estar bem.

Como dizia Renato Russo:

 'mas é claro que o sol vai voltar amanhã, mais uma vez, eu sei. Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã, espera que o sol já vem'

E é bem assim: o sol sempre volta. Basta você querer que ele volte!
Se estiver sentindo os sintomas que postei nos outros posts corra atrás de você, busque ajuda e se recupere!

E não se esqueça: pode estar escuro agora, mas o sol sempre, sempre volta a brilhar!

Ah, e não perca a fé! Isso também é importante! Ter fé, acreditar que existe um ser Superior que rege nossas vidas e que nos quer ver felizes. Deus nos criou para sermos felizes, então vamos nos esforçar para isso!

Beijos,

Cláudia



terça-feira, 8 de abril de 2014

Amenidade: uma linda história de amor, superação e adoção!

Hoje ele faz um mês!
Um mês que foi encontrado no quintal com o cordão umbilical ainda preso à placenta!
Um mês que veio para transformar quem conhece sua história!
Um mês que nasceu e transformou sua família!

Quem é ele????



Ele é o Miau aos 4 dias de nascido!
Não se sabe se foi abandonado por sua mãe, ou se ela era uma parturiente inexperiente, teve ele no quintal e fugiu.
O fato é que ele queria viver! E como queria!
Ele fez barulho, chamou a atenção e foi encontrado!
Depois de encontrado, foi acolhido, cuidado e amado!
Miau teve o poder de arrebatar o coração de uma família cachorreira e isso é uma missão para poucos!
Ganhou um ursinho de pelúcia e um cobertorzinho para aquecer-se e sentir-se seguro.
Foi alimentado com seringa de medicação e leite para humano (de vaca se preferir...rss) por alguns dias até que uma mãe de leite o aceitou.
E aí, além de ganhar uma família humana, ele ganhou uma família felina: mãe de leite e dois irmãos.
Como um pequeno guerreiro ele lutou, mamou, se fortaleceu.
Já cresceu e está serelepe querendo comer a ração dos irmãos mais velhos.

Quando encontrado tinha tudo para não sobreviver, mas sobreviveu!
Ele certamente traz consigo algumas lições!
Deus certamente tinha algo para nos mostrar com a força deste guerreirinho!

A mim o Miau mostrou que para desejar viver basta estar vivo!
Que por pior que seja a situação, por mais ruim que seja o prognóstico, quando se deseja muito é possível fazer dar certo, ainda que se precise de ajuda!

Agora esse mocinho, esse tiquinho de ser peludinho amarelo está crescidinho, espertinho, já arteiro.
Superou todas as expectativas de desenvolvimento!


De minha parte, não vejo a hora de vê-lo juntar-se ao irmãozinho humano para, juntos, aprontarem muito com a mamãe!

A mamãe humana dele, como puderam perceber nas fotos, é minha amiga, irmã de alma, Carine Gimenez.
Sei o quanto este bebezinho significa para ela e sua família.
Sei que o estão aguardando com muito amor e carinho e eu creio que Miau não nasceu naquele quintal por acaso.
Deus tinha um propósito e não tenho dúvida alguma que este propósito é fazer esta família ainda mais feliz!

Cláudia

quarta-feira, 2 de abril de 2014

A melhor parte sempre está no final do arco-íris!

imagem do Google
Sabe aquele momento em que você decide adotar, conta para a família e os amigos, todo mundo fica feliz, faz festa, te parabeniza e embarca no sonho de maternidade com você?
Sabe? Parabéns, então!
Eu nunca soube o que é isso!
Da primeira filha eu era obcecada e só falava em filhos. Devia tentar tratamento para engravidar.
Do segundo eu era louca, já tinha feito uma caridade, devia tentar ter um filho 'meu mesmo, de verdade' ou ficar só com uma porque ela sozinha já ia ser motivo de muita dor de cabeça.
A terceira....bem, a terceira ninguém falou nada porque eu decidi esperar só entre nós de casa, mesmo. Eu, meu marido, meus filhos.
O quarto filho ainda é um projeto que está em suspenso e que, possivelmente, não será compartilhado por quem não compartilhou da espera dos outros três caso o projeto vire realidade.
Nas reuniões familiares, por anos a fio, mais ou menos uns oito, os filhos pequenos falavam na irmã chamada Taís que ia vir, ninguém falava nada e eu não tocava no assunto. Só sorria. Apenas sorria da euforia e da inocência infantil dos meus filhos!
Umas poucas vezes algumas pessoas arriscaram falar que dois estava bom, que muitos filhos hoje em dia era complicado, era caro e blá, blá, blá e eu apenas sorria.
Nunca entrei em detalhes. Ela foi projeto, depois passou a sonho, e toda a fase de habilitação e espera foi nossa. Somente nossa!

Quando a gente tem um sonho, um desejo, um projeto de vida a gente tem que arregaçar as mangas e ir à busca.
Naturalmente que com apoio, cercada de carinho, de poder compartilhar o momento tão feliz e tão mágico que é esperar um filho é sempre muito melhor, mas se não é possível, ainda assim para ser feliz é preciso ir em frente!
Eu não seria uma pessoa feliz fazendo tratamentos por anos, e anos, e anos sem garantia nenhuma de que iria conseguir.
Eu acho que não seria feliz passando por uma gravidez múltipla, muito múltipla, excessivamente múltipla porque mesmo querendo quatro filhos eu queria um por vez.
Eu não seria feliz fazendo tratamento, não conseguindo e me conformando em não ter filhos.

Não é fácil sentir-se tão feliz e não ter com quem compartilhar esta felicidade. Entenda-se o 'não ter com quem' como família, parentes porque, graças a Deus, eu tive muitas amigas que participaram da espera e da chegada de cada um deles com alegria, carinho e muito apoio!
Não é tão feliz assim comprar coisinhas e não poder mostrar para ninguém para não ter que ouvir verdadeiros tratados sobre o que é um filho adotivo e o tanto de dor de cabeça que você vai ter no futuro.

Não posso dizer que minhas esperas foram infelizes. Não! Isso nunca!
Eu fui uma gestante como outra qualquer: fiz enxoval, bordei, tricotei, planejei, sonhei, delirei, me emocionei muitas vezes pensando no momento de ter cada um dos meus filhos nos braços.
Eu me sentia feliz com a espera, mas faltou algo. Faltou família! Faltou carinho! Faltou respeito pela minha decisão e pela decisão do meu marido.
Faltou! E mesmo faltando, isso não foi um fator primordial para desistirmos. Nós queríamos ser pais e fomos pais uma, duas, três vezes.
E somos felizes. Como somos! Nossos filhos são o bem mais precioso que temos nesta vida! São as maiores bênçãos que Deus poderia nos dar nesta vida!

É difícil ter filhos? É.
É difícil ter filhos adolescentes? É
É difícil educar? É
Mas não é difícil só para quem tem filhos adotivos. É difícil para qualquer pai e mãe.

Eu já escutei muito: ah, eu queria muito adotar, mas a família do meu marido não aceita, ou minha família não aceita.
Vi muita gente desejando ter filhos e abrindo mão de seus sonhos por causa da não aceitação do outro. Vi pessoas se apagando para a vida, tentando ser feliz através da ótica de vida dos outros.
Infelizmente ninguém consegue ser feliz através da ótica dos outros, do sonho dos outros ou da ideologia dos outros!
Nós só conseguimos ser felizes com o que sonhamos e conseguimos realizar!

Família é importante? Lógico que é! Se assim não fosse não teria me feito falta nas esperas, mas a família não pode interferir tão profundamente nas escolhas da formação da sua família e muito menos na sua forma de ser feliz!

Embora eu não tenha tido o apoio que eu gostaria, que eu sonhava, que eu desejava, embora tenha sido taxada de louca, tenha recebido muitos conselhos para tentar ter 'um filho meu mesmo', quando meus filhos chegaram foram acolhidos e eu sei que eles são amados. Eles foram aceitos porque o problema das pessoas não era com eles. Era com a minha escolha. Eu não fui apoiada devido à escolha que eu e meu marido fizemos e não devido às crianças. E as crianças, quando chegaram, foram aceitas!
Isso é importante!

Nesta jornada no mundo adotivo vi alguns casais serem apoiados da forma como eu sonhava, porém alguns deles aceitaram crianças que não eram as crianças dos sonhos da família que os apoiava e, então, a criança não foi aceita, ou demorou para ser aceita.
Talvez o mais importante seja o acolhimento depois, porque quando as pessoas se envolvem com você, elas sonham e idealizam seu filho também. E com isso, o sonho, o ideal de criança para elas talvez não seja o mesmo seu.
No meu caso, creio que como ninguém tinha expectativa alguma, meus filhos foram aceitos de imediato.
Hoje dá para conviver com a falta de apoio de antes porque meus filhos são queridos, então nunca deixe sua felicidade guardada na caixa dos sonhos por falta de apoio porque a felicidade maior pode estar no final de tudo, afinal o tesouro sempre se encontra no final do arco-iris!

Beijos

Cláudia


sábado, 22 de março de 2014

O que há no intervalo entre o desejar e o realizar!


Durante toda a minha vida virtual eu sempre dei meu depoimento dizendo isso que está escrito aqui


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Sempre falei que como filhos biológicos não vieram, partimos para a adoção sem fazer exames e sem tratamentos.
Isso realmente foi verdade!
Quando a gravidez não se efetivou no prazo determinado pelo médico decidimos não fazer tratamentos, exames, nada disso, afinal queríamos ser pais e não fazíamos questão de termos uma barriga, no entanto esse processo não se passa sem sofrimentos.

No post anterior a este eu falei que enlouqueci. E enlouqueci, mesmo!
Sorte minha que consegui detectar isso e consegui reverter por mim mesma a situação.

No intervalo entre desejar ser mãe e tornar-se mãe, tanto na maternidade biológica quanto na maternidade adotiva, este período é permeado de muitos sentimentos, muitos medos, muitos receios.
Quando a gente deseja muito ser mãe e planeja este filho, a gente sonha, idealiza, organiza e reorganiza a casa mentalmente, planeja um novo carro....ou ter um carro, a pintura da casa, o enxoval, talvez uma mudança de trabalho, pensa em creche, escolinha e tantas outras coisas que vêm junto com um filho.
Conforme o tempo vai passando e, mês a mês a vida vai te frustrando neste sonho, neste planejamento, muitos sentimentos precisam e são elaborados.

No meu caso a adoção não era opção SE eu não engravidasse. Adoção era plano de vida. Eu ia adotar gerando filhos ou não, mas mesmo assim diante do 'não' da vida, sentimentos afloram, tais como: frustração por não engravidar, sentimento de inferioridade em relação a outras mulheres, sentimento de uma vida inútil porque a gente nasce e cresce sendo criada para ser mãe.
A gente tem que elaborar esses sentimentos e não é fácil. Não é fácil lidar com frustrações!
Você vê as pessoas gerando de forma irresponsável filhos indesejados e é difícil entender o porquê de estar vivendo e convivendo com essa situação.

Mesmo desejando adotar eu também desejei engravidar e embora a gravidez não fosse algo imprescindível em minha vida, foi um plano, foi um projeto frustrado o qual tive que reelaborar, tive que viver o tal do luto que tanto dizem.
E eu vivi intensamente. Eu chorei, eu questionei Deus, até briguei com Ele algumas vezes, principalmente quando alguma desalmada jogava seu recém-nascido no rio perto da minha casa, ou jogava seus rebentos no lixo, largavam na igreja, matavam. Briguei com Deus muitas vezes, sim, mas nunca guardei revolta em meu ser.
Eu chorava, eu sofria, eu me rasgava por dentro de desespero muitas vezes, mas eu não tinha revolta.
Uma noite, logo depois do ocorrido com a história da banheira azul do post anterior, tive um atraso considerável, o mais longo de todos e na noite anterior ao dia que eu ia ao médico para fazer um BHCG, quando fui tomar banho estava lá meu 'não' novamente.
Esse não foi o pior 'não' de todos porque teve um que foi terrível por conta de um 'excelente' obstetra, mas foi o que senti intensamente na alma.
Nesta noite, ao ir deitar, peguei meu evangelho e, de joelhos...coisa que nunca havia feito...orei, orei, orei e, de coração aberto pedi: Senhor, me faz entender o porquê de tudo isso! Por caridade, me mostre porquê!

E nesta noite eu sonhei. Foi um sonho real, lindo, o qual me emociona até hoje quando lembro!
O lugar era calmo, silencioso, cheio de paz, tinha um gramado macio bem verde, árvores frondosas, um riacho onde corria uma água cristalina, à margem duas pedras grandes. Sentei em uma e um homem cujo rosto não pude ver ou não registrei sentou-se na outra e me falou o seguinte:
- minha irmã, na vida existem árvores que nascem para dar frutos e saciar a fome e existem árvores que nascem pra dar sombra e acolher. Nenhuma é mais importante do que a outra. Ambas se completam.

E então eu compreendi que eu era, sim, uma 'árvore que nasceu para dar sombra e acolher'.

Acordei agradecida a Deus pela resposta à minha oração e senti intima e fortemente em meu ser que eu estava no caminho certo: deveria voltar a trabalhar, me curar e ficar pronta para que, no tempo de Deus, meus filhos pudessem chegar.

E assim foi!
E assim hoje sou mãe de três pessoas que são os seres mais importantes da minha vida. Amo tanto que a alma até dói.
Depois que a primeira nasceu nunca mais senti desejo de tentar ter um filho biológico. Não sinto frustração por isso, nem mágoa com a vida.
Tudo foi como tinha que ser e eu sou grata a Deus e à vida por tudo de maravilhoso que operaram em minha vida e na vida da família que eu e meu marido conseguimos formar.

Isso tudo creio que só foi possível porque, mesmo diante do sofrimento, no intervalo entre o desejar e o realizar a maternidade nunca me faltou esperança e fé.


Que nunca nos falte esperança e fé em nenhuma circunstância na vida!

terça-feira, 18 de março de 2014

Um estado de loucura chamado 'desejo de ser mãe'.


Temos visto desde o início da novela Em Família a evolução do, digamos, estado de loucura da Juliana (Vanessa Gerbelli) motivado pelo desejo ardente de ser mãe.
Em entrevista à Ana Maria Braga a atriz fala em um estado de histeria.
Como não entendo de histeria e muito embora não entenda nada de doenças psiquiátricas, creio que o desejo de algo acalentado por muito tempo gere, sim, alguma doença psiquiátrica.

Como a maternidade é algo que ocorre de forma natural à maioria das mulheres, uma personagem como esta parece surreal, parece 'coisa de novela', parece historinha da cabeça do autor, mas posso afirmar que não é.
Vendo a personagem eu sinto pena. Pena não por ela não estar com a criança que ela pensa ser sua filha. Pena pela dor que ela me faz rememorar, reviver. Pena porque, embora eu saiba que é uma novela, uma história, aquela personagem que simboliza e representa muitas mulheres reais sofre. Ela sofre! E eu sei como é este sofrimento.
Desejar ter um filho ano após ano sem conseguir dói. Dói muito e por mais que se tente manter o otimismo, buscar alternativas, chega uma hora que a dor é tanta que a gente enlouquece. Sim! Enlouquece! Tudo passa a girar em torno da maternidade que para 'todo mundo' é algo natural e que para a gente é negado pela natureza.
Atrasos da menstruação por algum tempo são desejados, sonhados e quando ocorrem te levam do delírio à depressão quando, dias depois do atraso, a menstruação desce!
A cada menstruação que desce, desce com ela a esperança, o sonho, a maternidade.
Ela, a Juliana da novela, tem um marido que nunca a apoiou, que nunca deu valor para o sentimento em relação à maternidade, mas mesmo quando se tem marido companheiro isso tudo é muito difícil.

Eu casei desejando ser mãe. Aliás, eu desejava ser mãe desde que me conheço por gente. A lembrança mais remota que tenho disso é aos 8 anos, eu em frente ao espelho vestida com uma camisola larga imaginando como seria quando eu fosse adulta e tivesse barrigão com nenê dentro.
Quando eu me casei nossos planos eram de engravidar no primeiro ano de casados e eu sonhava voltar da lua-de-mel grávida o que, lógico, não aconteceu!
O tempo foi passando, 'todo mundo' à minha volta engravidava, tinha filhos, e comigo nada!
Pessoas que casaram depois de mim tiveram um filho, depois outro, pessoas que nem desejavam ter filhos engravidavam e comigo não acontecia nada!
Chega uma hora que umas pessoas começam a falar que você só fala nisso, que está obcecada. Outras pessoas se afastam.
E elas têm razão: a gente só fala nisso, só pensa nisso, dorme e acorda pensando nisso. E chora! A cada gravidez de alguma conhecida, amiga, vizinha a gente chora! Chora não porque elas ficaram grávidas, mas sim porque a gente não fica! Chora de pena de si mesma. Chora de raiva. Chora de desespero. Chora e até questiona Deus com um: porque para elas é tão fácil e para mim parece impossível?

Eu enlouqueci! Sim...enlouqueci.
Não cheguei ao estágio da Juliana de sonhar em matar alguém para ter o filho comigo, nem fiz nada nunca para tirar filho de ninguém por mais que eu achasse que esse alguém não tinha condições de ser mãe.
Não. Eu não fiquei como ela, mas eu fui muitas vezes à igreja que tinha perto de casa depois que meu marido saiu para trabalhar para ver se tinham deixado algum bebê lá, embaixo de algum banco. Isso porque nesta igreja sempre eram encontrados bebês abandonados na madrugada. Cheguei a ir em dias seguidos, praticamente todos os dias, e no dia que eu não fui deixavam algum bebê. E eu sofria a dor de um aborto quando a notícia chegava. Doía demais 'não ter ido no dia certo'.
Eu sonhava que deixavam um bebê na porta da minha casa. Sonhava que encontrava bebê em caixa na rua. E eu andava atenta procurando bebê porque eu sabia que sempre alguém 'perdia' um bebê numa sacola ou numa caixa média na rua.
E, de repente, 'todas' as lojas do shopping que ficava atrás da minha casa e por onde eu passava para pagar contas e fazer compras eram lojas de roupas e acessórios para bebês, 'todas' as mulheres que andavam na rua estavam grávidas. Eu não só falava o tempo inteiro sobre isso, como só via isso o tempo inteiro, também. Podia ter uma única grávida na multidão e meus olhos a encontravam!
E vou falar: essa é uma dor solitária! Ninguém entende! Aos poucos você sente que está chata, irritadiça, alterada. Sente que a convivência dos outros, das 'pessoas normais' com você é desagradável.
Eu não fiquei como a Juliana porque eu me dei conta que estava doente. Um dia demorei a dormir porque dormir mal passou a ser rotina e quando acordei eu me dei conta que naquele momento eu não tinha a menor condição nem de engravidar, nem de adotar. Eu simplesmente não tinha condições de ter uma criança comigo.
Isso aconteceu porque era dia de pagamento de contas, aluguel e compras, eu ia atravessando por dentro do shopping para chegar ao banco, imobiliária e mercado e, de repente, passa por mim no sentido contrário uma senhora, a qual lembro a fisionomia até hoje, com uma sacola das lojas Americanas portando uma banheira azul. Assim que vi a banheira na sacola tive um negócio. Não sei explicar o que eu senti, mas eu não via mais nada à minha frente, apagou tudo da memória, eu não sabia o que estava fazendo naquele lugar e voltei para casa, fechei a porta, sentei no tapete encostada na porta fechada e chorei. Chorei sem me dar conta de quanto tempo fiquei lá, daquele jeito. Parei quando a campainha tocou e eu vi que já tinha anoitecido. A vizinha da casa de baixo ouviu o choro quando entrou chegando do trabalho e tocou para saber se estava tudo bem.
Esse foi o pico da minha loucura! Como falei, nesta noite dormi mal e no dia seguinte me dei conta que eu não tinha equilíbrio suficiente para gerar e nem de cuidar de uma criança e decidi mudar tudo, voltar a trabalhar, me equilibrar para poder, um dia, ser mãe.

Logo voltei a trabalhar, mas o equilíbrio demorou a chegar. Por muito tempo eu andava, ainda, na rua com a esperança de encontrar uma caixa com um bebê dentro.
Um dia, logo que voltei a trabalhar, uma determinada manhã em que cheguei bem antes do horário determinei que neste dia sairia no meu horário certinho. Eu sempre ficava depois do horário, mas naquele dia eu queira sair no horário certo. Estava, já, arrumando a mesa quando uma colega pediu ajuda e eu atrasei 15 minutos para sair. No caminho para o metrô vejo um tumulto num dos cruzamentos, paro, pergunto para um vendedor de frutas o que tinha acontecido porque eu não vi nenhum vestígio de acidente no local e ele falou: ah, moça, a polícia acabou de sair daqui. Um carro parou aqui tem uma meia hora, se tiver isso, e deixou uma caixa junto com as caixas vazias encostadas no poste. Começamos a ouvir um barulho estranho na caixa e tinha dois bebês, acho que gêmeos, porque eram muito parecidos. A polícia acabou de levar a caixa com as crianças.
E nesse dia eu pirei porque não saí no meu horário.

O trabalho e o tempo ajudaram muito. Eu me curei, me tornei mãe, mas quando vejo esta novela tudo, toda a dor, todos os sentimentos voltam e eu sei que existem milhares de Julianas e de Cláudias por aí.
Não sei o que vai acontecer com ela, a personagem, mas posso dizer que isso tudo passa, basta ter vontade de melhorar para ser a melhor mãe que se puder ser!