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| Imagem retirada de Psicologia e Relações Humanas |
É! Desapareceu! O pai foi buscá-lo na escola por volta das 22h30m e a escola estava fechada.
Começou, então, um pesadelo!
O pai ligava no celular, que tocava, mas que o garoto não atendia. E nessa, as horas foram passando. Chegou as 23h, depois as 23h40m e nada! O telefone tocava até cair na caixa postal mas ele não atendia!
Qual seria o caminho mais rápido para tentar saber dele, então? Redes sociais e um grupo do watsapp!
Um amigo dele criou um grupo para marcarem encontros em pontos da cidade e adicionou o meu número como sendo dele. Comecei por aí. Como ele não estava com este amigo, o garoto me deu endereços onde eu poderia encontrá-lo: casas de jogos eletrônicos!
Publicações no Facebook pedindo informação aos amigos, afinal ele estuda em duas escolas e alguém deveria saber dele. Na minha cabeça isso era uma coisa lógica, mas ou não é tão lógico assim, ou existe um corporativismo adolescente que mesmo que algum deles saiba o que acontece, não se manifesta! Ainda tenho dúvidas a respeito!
Chegou a meia-noite, nós na rua, andando a esmo uma vez que as casas de jogos estavam fechadas. O que fazer? Ir à delegacia? Ah, mas eles só fazem BO com 24 horas do desaparecimento! Ah, mas eles estão acostumados com casos assim, saberão nos orientar!
E fomos parar na delegacia por volta das 2 da madrugada! Orientações recebidas, dados característicos do 'desaparecido', nossos telefones e endereço passados para a GCM. Não se tinha mais o que fazer além de esperar!
Um amigo do filho e seu pai estavam na rua, também, à procura! Nunca terei uma forma satisfatória e suficiente para agradecer! Enquanto nós, feito baratas tontas, não sabíamos o que fazer, eles foram a hospitais e a todos os lugares possíveis!
Madrugada ia alta, ninguém sabia dele, amigos dele me adicionaram em grupo de watsapp, amigas minhas passaram a madrugada orando e/ou me fazendo companhia on-line (isso, também, jamais terei como agradecer!), mães de amigos dele falando comigo, tentando me tranquilizar.
Amanheceu e, por volta das 7 horas, um contato e o 'desaparecido' apareceu! Ele havia dormido na casa de um amigo! Ele nem imaginava que estava desaparecido!
Graças aos céus o pesadelo chegava ao fim!
Essa foi a história do desaparecimento. Agora vou relatar como chegamos a isso, tentando resumir ao máximo, contando apenas o principal para que se compreenda!
Quinta-feira, 02.10, na saída do Senai o filho diz:
- Posso ir dormir na casa de um amigo amanhã depois do Moraes (escola onde cursa ensino médio à noite)? Nós temos um trabalho para fazer e ele falou para eu ir dormir lá para irmos para a casa de outro amigo no sábado cedinho. Como o outro amigo mora longe, ele acha melhor eu dormir lá para irmos junto.
- Pode sim, mas quero que me deixe o telefone e o nome de todos os amigos!
- Preciso de 10 reais para ajudar com os materiais.
- Depois vemos com seu pai.
E aí terminamos a conversa. O pai não tinha o dinheiro nesse dia. Não se tocou mais no assunto.
Na sexta-feira antes de sair para o Senai ele me falou que não voltaria para casa depois da aula. Ele e o grupo iriam ficar no Senai pegando orientação com os professores sobre o projeto e o pai do amigo iria levá-los para a outra escola onde cursam ensino médio.
Não falou mais nada sobre dormir fora. Despediu me lembrando que ia ficar direto no Senai e foi-se. Fo-se, inclusive, sem o agasalho, que esqueceu no encosto do sofá!
Aqui começa nosso primeiro problema de comunicação!
Eu havia dito que ele poderia ir, mas tinha que deixar nomes e telefones. Ele não deixou nada, saiu falando que ia direto de uma escola para a outra, não reforçou que ia dormir fora.
Para mim eles haviam desistido de fazer o trabalho nesse final de semana. Iam pegar orientação com os professores, afinal de contas não somos só nós que ficamos sem dinheiro na última semana do mês, neah?
Para mim ele iria para a aula da noite e voltaria para casa com o pai no horário de sempre, afinal ele não falou mais nada sobre dormir fora depois do pedido!
Para ele estava tudo certo. Ele havia pedido para dormir fora e havia dado o motivo. O pai não teve dinheiro para dar a ele, mas ele poderia dar o dinheiro depois (mas não me falou nada!).
Para ele eu sabia que ele ia dormir fora. Fim.
Segundo problema de comunicação:
- O celular toca e ele não atende. O celular descarrega por volta das 2 da madrugada. Das 22h30m quando demos falta dele até 2 da madrugada o telefone tocou normalmente, mas ele não atendeu. E não atendeu porque o telefone está apagando a tela e parando de tocar mesmo sem ter acabado a bateria, mas isso só fiquei sabendo no domingo quando ele chegou em casa.
- A irmã conseguiu o telefone e o nome do amigo com quem ele estava. Segundo o garoto que passou o telefone, esse amigo 'poderia' saber dele. E é aqui que entra minha dúvida sobre o tal corporativismo adolescente! De onde esse garoto tirou que justamente esse amigo onde o filho fora dormir na casa 'poderia' saber dele? Então...
- O telefone do amigo estava descarregado de fato. Incomunicável!
Terceiro problema de comunicação:
- 'Todos' os amigos estavam no Facebook, menos os que estavam com o filho 'desaparecido'.
A situação tomou proporções inimagináveis! Pessoas passaram a madrugada orando, me fazendo companhia, procurando por ele quando, na verdade, isso tudo poderia ter sido evitado se uma das etapas acima tivesse funcionado!
Se ele tivesse atendido ao celular às 22h30m nada disso teria acontecido, mas o celular estava quebrado e eu não sabia, embora ele tenha dito que me falou. Acontece que ele falou que o telefone dele estava 'bichado', mas eu não imaginava que esse 'bicho' fazia o telefone ficar incomunicável.
Se o amigo tivesse com o celular carregado e tivesse atendido antes das 23h40m, boa parte da confusão que já estava se formando teria parado por ali.
Eu falhei não tendo perguntado? Foi uma falha minha? Se eu tivesse perguntado, confirmado, pedido o telefone e o nome dos amigos antes de ele sair para a aula isso poderia ter sido evitado, também? De certo que sim, mas eu tinha em mente que crio os filhos para serem independentes e autônomos e para isso é preciso que tenham responsabilidade sobre si e sobre seus atos! Se eu deixei dormir fora e dei condições, ELE deveria ter me passado os dados que pedi. Na minha cabeça, se não passou os dados e não falou mais nada era porque não ia. Na minha cabeça isso era muito lógico, mas aprendi da pior forma que não é tão lógico assim quando se tem um filho que economiza palavras e está sempre achando que se comunicou o suficiente. Sim, porque já tivemos outras situações semelhantes de ele falar e achar que estava tudo certo quando não estava porque ele não falou o suficiente para que ficasse tudo certo, mas nada nunca na proporção desta vez!
Enfim, errei eu, errou ele. Erramos os dois por ficarmos, confortavelmente, na zona do achismo!
Então fica aí a dica para adolescentes, para pais, para todos em uma família: COMUNICAÇÃO é essencial. É preciso que todos se comuniquem de forma clara para que problemas como esse (e outros) sejam evitados!
Palavras são gratuitas se você não estiver enviando um telegrama ou não estiver fazendo uma tatuagem, então utilizem-nas sem medo, certifiquem-se de terem sido compreendidos e deixem o 'achismo' de lado!
Ah, sim, usem o celular para se comunicar! O aparelhinho também atende esta função, okay?
A vida hoje está muito tecnológica e as pessoas estão perdendo a habilidade de conversarem, de falarem, economizam palavras faladas como economizam palavras escritas nas redes. Tem redes sociais onde se pode usar apenas 100 palavras (ou seriam 100 letras?). A comunicação interpessoal está se perdendo, inclusive dentro de casa, entre familiares!
Quando eu era criança cresci ouvindo dizer que a televisão era o desagregador das famílias. Mal sabiam aqueles que falavam isso o que estaria por vir no futuro: um aparelhinho nas mãos de cada um, cada um em um canto da casa e mesmo quando todos estão juntos, ninguém está junto de fato, pois cada um tem os olhos e a atenção nos aparelhinhos. Até a televisão perdeu espaço e atenção porque pode-se até estar em frente ao aparelho com o dito ligado, mas os olhos e a atenção estão nos aparelhinhos que ficam entre os dedos!
O 'desaparecimento' dele não foi uma traquinagem, não foi um ato de rebeldia adolescente, não foi uma forma de se auto-afirmar como um ser independente, não foi uma escapadinha para uma balada ou para namorar. Não foi! Foi 'apenas' falta de comunicação. Não houve intenção de sumir. Aliás, ele nem sabia que estava sumido!
Postei isso para que possamos, todos, pais e filhos, amigos, refletimos acerca de que tipo de relação queremos ter uns com os outros!
Grande abraço!
Cláudia







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